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Artigo de Opinião

18/12/2023 05:00

Na psicanálise, a catarse é entendida como um método que trabalha recordações reprimidas e liberta emoções a elas ligadas. António Costa, na sua mais recente entrevista televisiva, fez dos estúdios da TVI e da CNN, um divã.

A conversa começou logo com uma anedota, quando Costa declarou que as suas convicções “não mudam de acordo com as circunstâncias”. Até pareceria bem, se todos nós não conhecêssemos o cadastro do Partido Socialista.

Entrevista fora, o homem disse que tinha a “consciência tranquila”, mas, ao contrário do inicialmente reiterado, mesmo que não fosse aquele parágrafo (que Costa diz que foi “acrescentado claramente ao comunicado para dar notícia pública”), poderia ter-se demitido. Um poucochinho depois, claro. Mas com argumento suficiente para incomodar o Presidente Marcelo às 8h30 da manhã.

Adiante. Agora, “é esperar que a justiça faça o seu trabalho”, apesar de termos um futuro ex-primeiro-ministro “conformado” e, sobretudo, “magoado”. Tudo entre aspas porque quero manter-me fiel à catarse antoniana.

Nesta entrevista, houve outras coisas interessantes. (In)Felizmente, não posso dar conta disso de forma exaustiva.

Ouvimos, de novo, que Marcelo avaliou mal a situação. Soubemos, pela boca de António Costa, que “as pessoas desejam tudo menos uma crise política”. Quem diria, não é?

Mas ficamos esclarecidos, também, sobre o país em que vivemos. Obviamente, não é o mesmo onde o PS acha que vive. É, para nossa tristeza, aquele que o socialismo nos deu, nos últimos anos. A nós, aos nossos filhos, aos nossos pais e aos nossos avós. Perigosamente transversal.

Da saúde à reforma da floresta, passando pela educação e pelos programas de habitação, no país das maravilhas de Costa, não de Alice, tudo ficou bem. E disse-o, com a parcimónia que o caracteriza, que tal é “o resultado de boas políticas”.

Boas políticas, somente, para o PS. Nunca, em tempo algum, para a população.

Todos sabemos: a saúde está um caos, a educação está na rua da amargura, o crescimento económico de que se gaba coloca-nos na cauda da Europa, os nossos jovens ceifam os próprios sonhos e os nossos mais velhos perdem a esperança de uma longevidade feliz.

Esta é a herança do PS. Nunca nos esqueçamos.

Em prime time, a propósito, lembraram-nos que “as maiorias absolutas não ajudam”. Mesmo que ajudassem, o PS não soube o que fazer com a sua. E disso, já temos prova. Fica-nos um país em retalhos.

Ainda assim, resta-me um agradecimento. Não ao jornalista que deu uma mãozinha nesta catarse, mas à mulher de António Costa, essa “voz de serenidade”, que, perante mais uma trapalhada, disse ao marido o que tinha de fazer. Obrigada, Fernanda.

Que não se deixe, agora, que entre na governação de Portugal mais nenhum socialista. Nem neto de sapateiro nem homens que falam em valores. Porque quem muito fala, pouco os tem.

Quanto a nós, mesmo depois desta entrevista em modo Princesa Diana, lembremo-nos daquilo que não queremos depois de 10 de março. Do PS, nem mais um capítulo enxertado à história do País!

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
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