O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, considerou hoje que a campanha podia ter sido mais esclarecedora mas apelou aos portugueses para que se mobilizem e aproveitem o “dia fantástico” para votar.
“Está um dia fantástico. Acho que é dia de sair de casa e votar porque, de facto, está um dia lindo. Estamos no inverno e está um dia fantástico. Acho que este é um sinal para que todos saiam de casa e votem”, apelou André Ventura.
O também líder do Chega falava aos jornalistas depois de ter votado na Escola Básica do Parque das Nações, em Lisboa, na secção de voto número 16, acompanhado pela mulher, Dina Ventura.
Interrogado sobre o facto de o antigo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, ter considerado que a campanha foi “muito pouco esclarecedora” no que toca a temas internacionais, Ventura considerou que “houve de facto falhas significativas em temas que interessam às pessoas”, afirmando que “uns mais do que outros não ajudaram a que conseguíssemos debater esses assuntos”.
“E nesse sentido, sim, houve aqui uma campanha que não foi tão esclarecedora quanto podia ser. E era importante, porque talvez isso também consiga reduzir a abstenção, que nós políticos sejamos capazes de conectar com os nossos concidadãos”, sublinhou.
O candidato presidencial advogou que os eleitores só se vão mobilizar “quando sentirem que votarem num, ou noutro, ou noutra faz a diferença”.
Apesar disso, Ventura pediu para que os portugueses aproveitem o dia de sol para votar, para que outros não escolham por si e lembrou que há cinco anos, quando o país ainda vivia um contexto de pandemia da covid-19, a situação era completamente diferente.
“Hoje só não vota quem não quer”, afirmou.
O deputado considerou que os portugueses não podem “passar o ano inteiro a criticar as coisas, mas depois ficar no sofá” e sustentou que é necessário fazer “escolhas pelo país”, seja ela qual for.
“A democracia ganha quando votamos, quando escolhemos, quando participamos”, acrescentou.
Ventura saudou a mobilização dos emigrantes portugueses no estrangeiro e argumentou que se esses cidadãos percorrem vários quilómetros para exercer o seu direito de voto numa embaixada ou consulado, não há nenhuma razão para que os eleitores portugueses em território nacional não o façam.
Questionado sobre o que fará durante o dia até à noite eleitoral, André Ventura disse que irá regressar a casa e passará pela Igreja de São Nicolau por volta das 19:00 para ir à missa, uma vez que é domingo, antes de se dirigir a um hotel em Lisboa para acompanhar os resultados.
Sobre o facto de surgirem no boletim de voto 14 nomes mas apenas 11 candidaturas serem válidas (as candidaturas de Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa não foram aceites pelo Tribunal Constitucional devido a irregularidades processuais), André Ventura voltou a lamentar que tal tenha acontecido.
O candidato espera que os eleitores não fiquem confusos e realçou que na escola onde votou havia algumas indicações de que essas três candidaturas não foram validadas, apesar de esta informação “não ser assim tão visível”.
André Ventura considerou que esta situação “só gera confusão” e “faz mal à democracia”, esperando que não se repita no futuro.
“Acho que não dignifica ninguém, não dignifica as estruturas do Estado, não dignifica a democracia, não dignifica os candidatos, acho que não deve voltar a acontecer”, insistiu.
Mais de 11 milhões de eleitores são chamados hoje a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de mandatos, sendo 11 os candidatos aceites, um número recorde.
Se um dos candidatos obtiver mais de metade dos votos validamente expressos será eleito já hoje chefe de Estado. Caso contrário, haverá uma segunda volta, em 08 de fevereiro, com os dois mais votados no sufrágio.