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Luso-venezuelanos vão reconstruir o Centro Português de Punto Fijo

Data de publicação
09 Março 2026
16:12

Um grupo de lusodescendentes radicados em Punto Fijo, 530 quilómetros a oeste de Caracas, vai reconstruir o Centro Português daquela localidade, que nos últimos anos enfrentou a saída de sócios devido à emigração e à crise na Venezuela.

Para avançar com a recuperação, foi criada uma comissão que desenvolve um projeto arquitetónico e estuda reforçar a segurança das instalações atuais que foram recentemente visitadas por criminosos que fragilizaram as estruturas e comprometeram a realização de algumas atividades, nomeadamente as de carácter religioso.

“Devido à situação [crise política, económica e social] no país, o nosso Centro Português de Punto Fijo, tal como outras instituições, foi-se deteriorando. Muitos portugueses, e os seus filhos, tiveram de abandonar a Venezuela e o clube ficou um pouco abandonado”, explicou à Lusa um dos membros da junta de reestruturação do clube, situado na Península de Paraguaná, no estado venezuelano de Falcón.

José Manuel de Oliveira Tavares precisou os lusodescendentes estão cientes da importância de resgatar o património de um clube que no passado chegou a ser uma referência entre os portugueses na Venezuela, em particular na realização de cerimónias religiosas que lhe davam visibilidade como a festa do Divino Espírito Santo, organizada por açorianos.

“Há 38 anos que os nossos pais e avós decidiram fundar esta casa, um cantinho de Portugal em Paraguaná, com a esperança de que perdurasse ao longo do tempo. Queremos que isto não se perca, queremos que os nossos filhos e netos deem continuidade a este cantinho, que mantenham a idiossincrasia de Portugal nesta terra árida de Falcón”, disse.

Natural dos Açores, José Manuel de Oliveira Tavares explicou ainda que, apesar do fenómeno migratório provocado pela crise, há em Punto Fijo um significativo número de luso-venezuelanos que se mantêm no país, mas também ligados a Portugal e às tradições portuguesas.

“Levamos essa dualidade no nosso coração e não a queremos perder. Chegou a hora de salvar o Centro Português. Vai ser difícil, mas vamos conseguir, com o apoio de toda a comunidade”, disse.

Por outro lado, explicou que seria importante que também o Governo de Portugal pudesse ajudar, economicamente, a reconstruir o clube.

“Talvez o Governo português possa ajudar mais as instituições, sobretudo as das regiões do interior do país, onde as dificuldades se sentem mais. A comunidade portuguesa não está apenas em Caracas, Valência e Maracay, há portugueses e luso-venezuelanos inclusive em localidades pequenas do interior do país que precisam de apoio”, disse.

Por outro lado, Ricardo Rodrigues, atual presidente do Centro Português de Punto Fijo, explicou à Lusa que em finais de 2025 o clube foi alvo de vários assaltos.

“Faço um apelo a toda a comunidade para que se aproxime, que lutemos juntos pelo Centro Português. Vamos recuperá-lo, ter boas instalações. Queremos que volte a ser uma referência”, disse, desabafando que se lembra de quando tudo era apenas um terreno e os pais angariavam dinheiro para construir as paredes do clube.

Atualmente, não existem dados públicos oficiais e detalhados sobre a quantidade de portugueses e lusodescendentes radicados em Punto Fijo nem na Península de Paraguaná, estado de Falcón.

No entanto, a comunidade portuguesa local fala de vários milhares de empresários que aproveitam os benefícios de Paraguaná continuar a ser uma zona franca, onde há isenção de alguns impostos e onde estão duas refinadoras de petróleo.

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