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Ex-deputado do Chega suspeito de furtar malas no aeroporto acusado de 21 crimes

Data de publicação
08 Janeiro 2026
14:02

O ex-deputado do Chega Miguel Arruda foi acusado pelo Ministério Público (MP) de 21 crimes de furto qualificado por ter, alegadamente, subtraído várias malas no aeroporto de Lisboa, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025.

Segundo a acusação, datada de 11 de dezembro e a que a Lusa teve hoje acesso, a mulher de Miguel Arruda foi por sua vez acusada de um crime de recetação, por ter presumivelmente usufruído de roupa e outros bens que saberia que tinham sido furtados pelo marido.

Miguel Arruda, de 41 anos, foi eleito deputado à Assembleia da República pelo Chega em março de 2024, passou a deputado independente depois de ter sido constituído arguido em janeiro de 2025 e, quando o processo foi conhecido, negou a prática dos crimes.

Dos 21 crimes de furto qualificado de que está acusado, 20 são na forma consumada e um na forma tentada.

Para o MP, o antigo eleito pelo círculo dos Açores terá aproveitado o facto de viajar semanalmente entre Ponta Delgada, onde residia, e Lisboa, onde trabalhava, num horário de baixa afluência no Aeroporto Humberto Delgado para desviar, em pelo menos oito dias, mais de uma dezena de malas de outras pessoas dos tapetes de recolha de bagagem do seu e de outros voos.

Noutros três dias, terá igualmente percorrido a área de recolha de bagagens em busca de malas de outras pessoas, mas não encontrou nenhuma sem vigilância.

Em 21 de janeiro de 2025, foi intercetado pela PSP e já não conseguiu, como era habitual, abandonar o aeroporto de TVDE em direção a casa ou ao parlamento.

O valor do conteúdo das malas de que Miguel Arruda se terá apropriado não foi, na maioria dos casos, apurado, mas só duas delas tinham roupa, calçado e bolsas de marcas de luxo avaliadas globalmente em quase 12 mil euros.

De acordo com a acusação, alguns dos artigos terão sido oferecidos pelo então deputado à mulher e outros postos à venda por este na plataforma digital Vinted, incluindo com a morada da Assembleia da República, em Lisboa.

Só no gabinete de Miguel Arruda no parlamento foram apreendidas pela PSP, em 27 de janeiro de 2025, seis malas de viagem e uma mochila aparentemente de desconhecidos.

Nas residências do casal em Ponta Delgada e em Lisboa foram ainda encontrados quase 30 artigos pertencentes a desconhecidos, incluindo um computador portátil.

Miguel Arruda, que, tal como a mulher, está em liberdade sujeito a termo de identidade e residência, não é deputado na atual legislatura.

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