A partir das 21h00 de hoje, o Centro de Congressos da Madeira acolhe o Concerto de Primavera, que celebra os 40 anos do Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
De acordo com a organização, são esperadas mais de 600 pessoas para assistir ao espetáculo conduzido pela Orquestra de Sopros do Conservatório, pelas Ninfas do Atlântico e pela Banda Militar da Madeira.
Ricardo Sousa, presidente do núcleo regional, destaca que este evento quer celebrar e agradecer o envolvimento de todos quantos contribuem para levar uma “palavra de esperança” a quem, direta ou indiretamente, vive de perto com o cancro.
Ao longo dos últimos 40 anos, o núcleo cresceu, passando de dois para 15 funcionários, e agregou mais voluntários. Há, hoje, entre 100 e 150, habitualmente, valor que aumenta para 300 a 400 nas alturas dos peditórios.
“Orgulhoso” do trabalho desenvolvido pelo núcleo e pela comunidade, Ricardo Sousa adianta que, mensalmente, são apoiadas cerca de 350 famílias. As ajudas são diversas e vão desde o apoio social e entrega de um valor monetário a famílias carenciadas, até suplementos alimentares e consulta de nutrição, passando pela entrega de camas, cadeiras de rodas, sutiãs, próteses, próteses capilares e ainda ajudas para a visão e dentes.
Há também cinco psicológicos prontos a percorrer toda a ilha e um ‘personal trainer’ que ajuda a melhorar a qualidade de vida dos doentes, além do programa de vacinação da pneumonia e do HPV.
Todos estes serviços são financiados através de donativos, de concertos, feiras, peditórios e da consignação do IRS.
A propósito da consignação do IRS, Ricardo Sousa apelou a que os contribuintes a façam a favor da Liga Contra do Cancro. Lembra que esta atitude não altera as contas para o contribuinte, uma vez que é o Estado que prescinde de 1% da receita e não o contribuinte.
Mas para que tal aconteça é necessário o contribuinte indicar na declaração de IRS que quer consignar 1% das receitas, fazendo uma cruz para a consignação e indicando o número 500967768, pertencente à Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Relativamente à presença do cancro na Madeira, Ricardo Sousa referiu que, em média, surgem entre 1.000 e 1.100 novos casos por ano.
O panorama é de aumento dos casos, à semelhança das realidades nacional e internacional, mas tal decorre também, em sua perspetiva, “do trabalho que tem sido feito” pelos sistemas nacional e regional de saúde, que alertam “as pessoas para estarem atentas e aderirem aos rastreios”.
Os rastreios têm identificados mais cancros, mas cada vez mais em fases mais precoces, o que aumenta a taxa de sucesso.
Há cancros em que a taxa de sucesso é maior, como os da mama e da próstata, em que as taxas de sucesso rondam os 80 a 90%, mas há outros, como o do pulmão ou do pâncreas, em que as taxas são “diminutas”.
“Lembro que o cancro é assintomático e, por isso, é preciso estar atento e ir ao médico à mínima desconfiança. Participem nos rastreios, no rastreio do cancro da mama, no rastreio do colo retal. Quando são convocados, não deixem para amanhã. Não tenham receio”, apelou.
“É melhor receber a notícia quanto antes do que adiar e a seguir receber uma notícia menos boa de que já está mais avançado. O que apelo é que as pessoas, à mínima desconfiança, vão ao seu centro de saúde, ao seu médico de família ou participem nos rastreios”, reforçou, sublinhando que estes exames são um “benefício” que as pessoas têm.