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Artigo de Opinião

26/03/2026 07:30

“Se não vens acrescentar nada, nem venhas.”

A crítica (os “julgamentos”), em vez de nos acrescentar algo, é muitas vezes sentida como “balas que fazem buracos”, deixando “vazios” perigosos no percurso dessas mesmas balas.

Todos os dias vejo ou oiço alguém a falar do corpo ou do aspeto de uma menina ou mulher.

A sensação que tenho é a de que o nosso corpo e o nosso aspeto são públicos, isto porque todos nos achamos no direito de opinar sobre eles sem que nos peçam.

As críticas feitas às mulheres são, na maioria das vezes, feitas por outras mulheres. Começa desde cedo, no ambiente familiar, por avós, tias e mães, sempre na comparação com um corpo “dito perfeito” ou até mascaradas de “corpo saudável”.

Horrível e doloroso para a menina ou adolescente que está a tentar gostar do que vê ao espelho.

Feia, gorda, magra, velha, desleixada, esqueleto, falsa, peluda... adjetivos que se dizem e se escrevem.

Na recente tomada de posse do nosso Presidente da República, falou-se mais da roupa e do aspeto da mulher e da filha dele do que dele próprio.

Uma influenciadora chinesa de beleza perdeu cerca de 140 mil seguidores em fevereiro de 2026, após uma falha técnica revelar a sua aparência real durante uma transmissão.

As mulheres são, desde sempre, mais avaliadas pelo aspeto do que pela pessoa que são.

Ironicamente, se há algo pelo qual não somos responsáveis é pelo nosso aspeto (face, cabelo, forma do corpo), porque ele nos foi dado pela genética, pelos nossos pais. Mas parece que aquilo por que não somos responsáveis é o que tem mais valor. Ridículo!

Claro que é possível mudar e ser o que quisermos... basta termos dinheiro. Injusto.

“A Substância”, um filme protagonizado pela atriz Demi Moore, mostra, por um lado, como é visto o envelhecimento feminino nos media e, por outro, como se sentem estas mulheres perante a discriminação de que são vítimas. Esta discriminação pode levar a um fim antecipado de uma carreira. A atriz principal do filme é constantemente criticada por tentar manter-se jovem. Ela própria confirma este triste facto.

A série “The Beauty” mostra a procura desesperada de anónimos por um medicamento que torna o corpo jovem e perfeito e a discriminação de quem não quer esse medicamento.

A atriz Gillian Anderson disse: “Desaparece tu... eu não vou a lado nenhum.” Isto porque, segundo ela, há um fenómeno novo em que as mulheres com mais de 50 anos desaparecem dos media.

Temos de tentar não criticar o corpo ou o aspeto das mulheres; devemos mudar o registo. É uma questão de treino. A única pessoa que tem legitimidade para falar do nosso corpo são os profissionais de saúde que nos acompanham.

Se ouvirmos alguém a fazê-lo, temos de dizer a essa pessoa que esse é um comportamento desadequado, grave, sobretudo se for dirigido a uma menina ou adolescente. Há quem não esqueça episódios desses para toda a vida.

Não opinar é aceitar a mulher como ela é.

É dar mais liberdade. A moda é muito perigosa, mas, quanto mais uma mulher for segura na sua imagem (menos “buracos de bala”), mais vai ouvir os profissionais de saúde sobre o que deve ou não fazer por si.

A nossa opinião importa e pode ferir, principalmente aqueles que gostam de nós.

“Envelhecer, para as mulheres, não significa, unicamente, passar os anos: significa, demasiadas vezes, deixar de encaixar. Aí é onde o envelhecimento se cruza com o machismo e converte a idade em mais uma forma de exclusão.” — Daniel Merchán Boblas

“Aprende a aceitar-te: não tens de ser perfeita para ser suficiente.” — Kate Winslet

OPINIÃO EM DESTAQUE
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