Creio ser necessário, sobretudo no caso português, não alimentar muitas ilusões sobre o actual momento nacional.
A situação interna já não se apresentava fácil, antes da calamidade que foi a maior tempestade de que há memória em Portugal Continental. A qual, em termos de boa governação e mesmo que o Governo da República, bem, evite posições públicas que criem alarme social, forçosamente representará alterações importantes nos critérios de Despesa Pública.
Trata-se, agora, de levar a cabo uma tarefa gigantesca de reconstrução e de recuperação económica, com a qual a Região Autónoma também deve ser solidária, porque noutras circunstâncias, nos aluviões, os Contribuintes de Portugal Continental foram-no também connosco.
O que, cá e lá, em termos de governação decente, implicará cortar em fantasias e sair da grande mediocratização deste século que foi a dos meios públicos andarem sujeitos à prioridade da “compra de votos”.
As intempéries e as calamidades verificadas, aconteceram quando já estávamos ante outros desastres nacionais, a dever implicar juízo no prioritário dos Investimentos públicos e no que subsidiar nas restantes áreas.
De facto é urgente acontecer algo na Habitação, na Justiça, na Saúde, na Política Fiscal, nas relações laborais, na Defesa e Segurança, no combate às drogas, na articulação “modelo de turismo”/ Qualidade de Vida, na proletarização imoral da Classe Média, etc., etc.
E muitos serão os etcs.
A agravar tudo isto, temos a situação internacional.
Entrou-se numa instabilidade generalizada, com um nível de consequências ainda imprevisível, mas em que já é certa a inflação, a carência de bens de investimento e de consumo, a consequente e necessária subida das taxas de juro.
E no caso português, tudo agravado pela teimosia político-jurídica suicida de não querer rever a Constituição, o que tornará inviável qualquer reforma de fundo que, com competência, permita resolver todos os problemas acima mencionados, e outros.
Isto é, Portugal não é possível em termos de concretização do Bem Comum, sobretudo agora com este agravar da conjuntura, se os responsáveis (?) políticos a nível nacional continuarem a obstruir o futuro dos Portugueses, optando por um desleixado assobiar para o lado enquanto - propositadamente? - “a caminho do socialismo” a Classe Média desaparece, os Quadros mais jovens emigram e os oligarcas que controlam o poder político desfrutam da consequência disto tudo que é a mão-de-obra barata.
No caso da Madeira, para além das correcções que se impõem e que andam a ser sugeridas em vários quadrantes políticos, profissionais, sociais, etc., para além da Solidariedade Nacional de que, neste momento difícil, também devemos saber dar exemplo, se quisermos que nos respeitem como ainda não aprenderam a nos respeitar, temos também sobre nós todas as consequências conjunturais atrás descritas.
Com uma agravante que constitui um desafio simultâneo para o Poder Central e para o Poder Regional. A questão que alguns fingem não existir ou procuram não ver, que é o Contencioso das Autonomias.
Contencioso das Autonomias que, sobretudo, é um contencioso político.
Uma das Partes, a “soberana”, que é o Estado, recusa-se a reconhecer aos Povos insulares aquilo que Estes, com Justiça, reivindicam como a Sua necessidade para melhor se desenvolverem e... sobrecarregar menos o Estado ou nem O sobrecarregar!
Não faz sentido!...
A não ser que, em Lisboa, se tenha assimilado, profunda e erradamente, um conceito de “soberania” que é o de “domínio” de uns sobre outros, devendo estes se conformar com aquilo que é a vontade política daqueles, mesmo que irracional!
Até parece brincadeira!
Ora, os tempos não estão para brincadeiras, e muito menos para, por um lado, continuar-se a perder oportunidades importantíssimas e irretornáveis. E, por outro lado, o peso sobre os Contribuintes e a destruição da Classe Média não podem ser o instrumento para a “classe política”, desvalorizada, conquistar votos a qualquer preço.
Os tempos não estão para que um desses “qualquer preço”, seja o de o Poder político de Lisboa impedir o Desenvolvimento Integral dos Povos insulares, só para mostrar “poder” ou agradar ao produto político-cultural que são alguns meios continentais mais obscurantistas, que entendem que “mandam” em nós.
Que havemos de ser o que eles querem.
Queriam!...