A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) alertou hoje para o perigo de ações militares próximas de instalações nucleares, após um ataque ter matado um funcionário perto da central ucraniana de Zaporijia, sob controlo russo desde 2022.
O diretor-geral da AIEA, o argentino Rafael Grossi, reiterou na rede social X que este tipo de ações “pode pôr em risco a segurança nuclear e não deve ocorrer”.
A agência da ONU indicou ter sido informada pelos administradores da central de um ataque ocorrido hoje de manhã com um drone, que atingiu uma oficina de transportes e causou a morte de um motorista.
A AIEA, com sede em Viena, acrescentou que os seus inspetores, destacados de forma permanente na instalação, irão investigar o sucedido.
Embora a agência da ONU não atribua responsabilidades pelo ataque, a administração russa da central afirmou tratar-se de um drone ucraniano, segundo uma mensagem divulgada na rede de mensagens russa MAX.
A central de Zaporijia, a maior da Europa, com seis reatores e sob controlo russo desde março de 2022, tem sido palco de numerosos ataques durante a guerra, com acusações mútuas entre Moscovo e Kiev.
Este ataque ocorreu imediatamente após ter sido assinalado, no domingo, o 40.º aniversário da maior catástrofe nuclear da história, ocorrida na central de Chernobyl.
O acidente ocorreu a 26 de abril de 1986, quando o reator número 4 da central nuclear de Chernobyl, na então União Soviética e atual Ucrânia, explodiu durante um teste de segurança, libertando grandes quantidades de material radioativo para a atmosfera.
Tal levou à retirada de centenas de milhares de pessoas e deixou uma grande zona de exclusão em redor da central, que permanece parcialmente inabitável quatro décadas depois.