A Suécia vai extraditar um cidadão turco reclamado por Ancara, mas rejeitou a de um outro, indicou hoje o Ministério da Justiça sueco.
A questão das extradições de cidadãos turcos que Ancara considera terem ligações a atos terroristas na Turquia é um dos principais requisitos de Ancara para ratificar a adesão do país escandinavo à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
O Ministério da Justiça da Suécia aceitou a extradição de Omer Altun, um cidadão turco de 29 anos condenado no ano passado por um tribunal turco a 15 anos de prisão pelo "equivalente a fraude na Suécia".
No entanto, a extradição só foi aceite com a condição de que Altun seja novamente julgado depois de regressar à Turquia.
A decisão, datada de 30 de março, a que a agência noticiosa France-Presse (AFP) teve hoje acesso, foi aprovada depois de o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Suécia ter dado ‘luz-verde’ à extradição.
"O Governo partilha a opinião do STJ de que nada impede a extradição de Omer Altun para a Turquia", indicou o executivo sueco.
No entanto, o Governo sueco rejeitou o pedido de extradição de Mehmet Zakir Karayel, um sueco de 51 anos que Ancara suspeita ser membro de uma "organização terrorista armada", segundo o Ministério da Justiça sueco.
No entanto, de acordo com a lei, "um cidadão sueco não pode ser extraditado", sustentou o ministério.
A Suécia já extraditou em 2022 pelo menos dois cidadãos turcos e rejeitou os pedidos de vários outros, entre eles o do ex-editor do diário Zaman, acusado pela Turquia de estar envolvido num tentativa de derrubar o presidente Recep Tayyip Erdogan em 2016.
Após o início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022, a Suécia e a Finlândia abandonaram a política de neutralidade militar de longa data e solicitaram a adesão à NATO.
Com meses de atraso, a Turquia ratificou a adesão finlandesa no mês passado, permitindo que a Finlândia se tornasse terça-feira membro de pleno direito da Aliança Atlântica.
Além da Turquia também a Hungria ainda não ratificou a adesão da Suécia à NATO.
No final de fevereiro, o primeiro-ministro húngaro, o ultranacionalista Viktor Orbán, garantiu que, embora apoie a integração, a Suécia "espalha mentiras" sobre a situação da democracia e do Estado de direito na Hungria.
LUSA