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Refugiados: Manter boa vontade e replicar generosidade são grandes desafios

JM-Madeira

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Data de publicação
18 Junho 2022
10:40

Os maiores desafios no que concerne à questão dos refugiados são manter a boa vontade dos países anfitriões face ao prolongamento da guerra na Ucrânia e replicar essa generosidade noutras crises, afirmou hoje o porta-voz do ACNUR.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Mundial do Refugiado, que se assinala em 20 de junho, o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Matthew Saltmarsh, referiu que o modelo empregado pelos países de acolhimento dos refugiados ucranianos é o defendido pela agência da ONU, mas admitiu que "isso também criará desafios para esses países".

Face à maior crise de refugiados desde a II Guerra Mundial, os países, sobretudo os que fazem fronteira com a Ucrânia, acolheram com agrado milhões de pessoas.

Mas "os desafios são enormes, com um número tão grande de pessoas a fugir em tão pouco tempo", afirmou o porta-voz do ACNUR.

A prioridade começa por ser dar abrigo, encontrar um lugar seguro para ficar, mas "depois, as necessidades dependem de quanto tempo as pessoas podem ficar".

A preocupação já tinha sido levantada por Victoria Lupton, presidente da associação dedicada a conflitos, refugiados e cultura árabe Seenaryo, quando defendeu que a grande crise de refugiados da década passada - a dos sírios - deve ser observada para que os mesmos erros não sejam cometidos.

"A primeira coisa que os países anfitriões têm de se lembrar é que a maioria dos refugiados permanece refugiada por muito tempo. Globalmente, a duração média do deslocamento é de 20 anos. Embora as campanhas gerais e os financiamentos coletivos de emergência sejam valiosos, o trabalho menos glamoroso é muito mais lento", opinou.

"As tensões vão-se acumulando ao longo do tempo. Apesar de toda a generosidade inspiradora dos polacos para com os ucranianos, vão surgir tensões, principalmente porque as duas nações partilham um passado turbulento", alertou.

"O modelo empregado pelos países de acolhimento para refugiados é certamente aquele que o ACNUR acolhe e endossa - oferecendo aos refugiados segurança sob Proteção Temporária e acesso a serviços essenciais como saúde e educação", afirmou Matthew Saltmarsh, referindo, no entanto, que também será preciso ajudar os países anfitriões.

Um segundo desafio é que, apesar de a vaga de refugiados da Ucrânia ser actualmente a mais premente e a maior do mundo, há muitas outras crises de refugiados no mundo.

Temos "muitas outras crises de refugiados, que não são tão generosamente financiadas, mas que têm necessidades enormes", disse o porta-voz do ACNUR.

"Apesar da tragédia [da invasão da Rússia à Ucrânia e consequente desenvolvimento de uma guerra], foi animador ver a solidariedade inigualável demonstrada aos refugiados ucranianos em toda a Europa e no mundo", observou Matthew Saltmarsh.

"As fronteiras foram mantidas abertas e a União Europeia tomou medidas sem precedentes ao ativar, pela primeira vez, a diretiva de Proteção Temporária, garantindo o acesso à proteção e aos direitos dos refugiados da Ucrânia", considerou.

"Achamos que este é um passo positivo", garantiu, considerando que "quando os países trabalham juntos, muito pode ser alcançado".

Agora, sublinhou, "é preciso ver essa responsabilidade e solidariedade estendidas àqueles que fogem da perseguição e da violência em todo o mundo".

"Respeitar os direitos humanos e os direitos dos refugiados não é uma escolha - é uma obrigação legal e moral - e nunca deve depender da nacionalidade ou do modo de chegada", recordou o porta-voz do ACNUR.

É imprescindível lembrar outras situações, adiantou ainda, nomeando outros países regionais e vizinhos dos afetados por conflitos e instabilidade que acolheram refugiados em grande número, "salvando milhões de vidas".

Países vizinhos da Síria, incluindo Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque, acolhem refugiados sírios há mais de uma década. O Quénia e outros países do continente africano continuam a oferecer proteção aos somalis. O Bangladesh abriga centenas de milhares de rohingyas e a Colômbia abriga mais de 1,7 milhões de venezuelanos a quem concedeu estatuto de Proteção Temporária durante 10 anos.

E para todas estas crises é preciso ajuda, concluiu.

Lusa

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