Pelo menos 3.200 crianças de 22 Estados da Venezuela foram diagnosticadas com desnutrição aguda, no primeiro quadrimestre de 2022, segundo dados do último relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).
"Em abril de 2022, 3.200 crianças com menos de cinco anos foram diagnosticadas pelos com desnutrição aguda, deficiências de micronutrientes, e receberam tratamento", explica o "estado do aglomerado" sobre "Nutrição" do Relatório sobre a Situação na Venezuela.
O relatório adverte que, "com o início da estação das chuvas (maio a novembro), as necessidades e riscos nutricionais podem aumentar devido à interrupção da disponibilidade e do acesso a água potável, especialmente para os bebés".
Por outro lado, "a doação não solicitada de substitutos do leite materno em abrigos temporários, onde as famílias são alojadas, não só pode dificultar a prática da amamentação, mas também expor os bebés e crianças a quadros diarreicos e infeciosos, através do consumo de água não tratada no momento da preparação".
"Os nossos parceiros reportam este cenário em alguns Estados do país, especialmente em Zúlia, no Sul do Lago e na zona andina (oeste do país), que é mais comummente afetada pelas estações de períodos invernais".
Segundo a OCHA, na Venezuela persiste, a nível nacional, "a insuficiente disponibilidade e acesso a suprimentos e equipamentos de atenção nacional, o que afeta a implementação e sustentabilidade dos programas de nutrição".
"Subsistem as dificuldades no processo de importação, transporte e armazenamento de insumos nutricionais. Esta situação abranda e cria perturbações na continuidade da assistência, afetando o encaminhamento de casos de desnutrição para os centros de saúde e hospitais, uma vez que nem todos contam com um fornecimento permanente de insumos como o RUTF (mistura homogénea de alimentos ricos em lípidos e solúveis em água) e fórmulas terapêuticas para o tratamento de casos de desnutrição aguda", afirma.
O relatório precisa que até abril de 2022 o Aglomerado Nutricional da OCHA atendeu 128.357 pessoas, incluindo 87.411 crianças e adolescentes, das quais 64.500 com menos de 5 anos de idade.
Também que foi criado um mecanismo de encaminhamento para o cuidado de crianças com menos de cinco anos de idade com desnutrição aguda, mulheres grávidas e lactantes com peso inferior ao normal, com o propósito de uniformizar os critérios para o diagnóstico e admissão em programas de nutrição locais.
Esse mecanismo contém um mapa dos centros de saúde e comunitários, para cuidados ambulatórios e de internamento, para subnutrição com complicações médicas, com canais para que organizações da sociedade civil notifiquem novos casos.
A OCHA explica que mais de 64.000 prestadores de cuidados, mulheres grávidas e lactantes (MEL) tiveram acesso a aconselhamento sobre práticas adequadas de alimentação de lactentes e crianças pequenas.
Também que mais de 2.200 mulheres grávidas e lactantes receberam serviços de saúde e nutrição para recuperar do estado nutricional e de deficiências de micronutrientes.
Além disso, 31.000 crianças com menos de cinco anos e 11.800 mulheres grávidas e lactantes receberam suplementos com alimentos fortificados e micronutrientes.
Mais de 145.825 meninos, meninas e adolescentes, de até 15 anos de idade foram desparasitados em 21 dos 24 Estados do país, entre janeiro e abril de 2022.
Os programas de recuperação nutricional da OCHA decorrem em 190 dos 335 municípios da Venezuela e neles participam mais de 25 organizações.
Lusa