Os representantes da Palestina e de Israel junto da ONU trocaram na terça-feira acusações sobre a entrada de ajuda na Faixa de Gaza, perante o Conselho de Segurança da organização, reunido para abordar o cessar-fogo.
A situação foi descrita pelo assistente do secretário-geral da ONU para o Médio Oriente, Ásia e Pacífico, Khaled Khairi, que disse que o “cessar-fogo é cada vez mais frágil”, uma vez que continuam os ataques israelitas e as atividades armadas do [movimento islamita palestiniano] Hamas e de outros grupos”.
Khaled Khairi defendeu que “é urgente impulsionar planos” para a entrada de “ajuda humanitária” e para “a rápida recuperação e reconstrução do enclave”.
O responsável denunciou um “agravamento constante” em Gaza e na Cisjordânia, onde denunciou que “a violência, incluindo a violência generalizada dos colonos, as deslocações e a crescente atividade de colonatos, ameaçam comunidades inteiras e corroem ainda mais as perspetivas de um processo político que resolva o conflito com base numa solução viável de dois Estados”.
Após esta intervenção, o plenário do Conselho debateu a situação no enclave e a evolução do plano proposto pelos Estados Unidos para a Faixa de Gaza.
A este respeito, a ministra dos Negócios Estrangeiros palestiniana, Varsen Aghabekian, reiterou a visão de “um Estado, um Governo, uma Lei e uma Arma”, em alusão ao monopólio estatal da força face à presença de grupos armados não estatais, e “a necessidade da retirada total de Israel da Faixa de Gaza”.
A ministra reivindicou a necessidade de não “frustrar estes esforços com políticas que o plano do Presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump rejeitava: o deslocamento forçado e a anexação”, pelos quais culpou o Governo israelita em Gaza e na Cisjordânia.
Por outro lado, o representante permanente de Israel junto da ONU, Danny Danon, argumentou que “Israel está a cumprir a sua parte do acordo”, ao mesmo tempo que sustentou que “as principais passagens fronteiriças estão abertas” e que Israel facilitou a entrada de 1,5 milhões de toneladas de alimentos em Gaza.
Danon minimizou a violência de grupos de colonos israelitas, alegando que os ataques registados correspondem a “um número ínfimo de extremistas, dezenas, nem sequer centenas”, que, além disso, são condenados, investigados e julgados.
“Existe violência extremista por parte dos israelitas, mas a sua magnitude é significativamente menor em comparação com a dos ataques perpetrados por terroristas palestinianos na Judeia e Samaria”, argumentou Danon, utilizando a terminologia com que o Governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se refere à Cisjordânia.