O presidente do parlamento iraniano afirmou hoje que mais de 30 milhões de voluntários responderam ao repto das autoridades e estão dispostos a sacrificarem-se pelo Irão no contexto da ofensiva militar israelo-norte-americana, incluindo ele próprio.
“Orgulho-me de ser uma destas 30 milhões de pessoas que se oferecem para se sacrificar. O sacrifício abnegado da orgulhosa nação iraniana confundiu os inimigos”, declarou Mohammad Bagher Ghalibaf, que chegou a liderar a equipa de negociadores de Teerão nos contactos com Washington para o cessar das hostilidades, numa mensagem publicada nas redes sociais.
Segundo indicou, os voluntários “corajosos e patriotas” inscritos na campanha lançada pelas autoridades “têm o apoio firme do Irão para sempre”.
As autoridades iranianas garantem que o número de cidadãos inscritos na campanha para combater contra os Estados Unidos e Israel, em defesa do país, ultrapassa os 30 milhões.
Em concreto, segundo os dados partilhado por Ghalibaf, um total de 30.885.140 pessoas no Irão registaram-se como voluntárias.
No início do mês, foi o Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, que afirmou ter-se inscrito como voluntário, mostrando-se disposto a “sacrificar a sua vida”, quando “mais de 14 milhões” de cidadãos iranianos se tinham registado na campanha, num país com mais de 90 milhões de habitantes.
O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou no sábado que representantes iranianos apresentaram uma nova proposta de negociação, apenas 10 minutos depois de ele ter ordenado o cancelamento da viagem dos enviados especiais norte-americanos a Islamabad, Paquistão, para encetar o diálogo com Teerão.
Segundo o portal de notícias norte-americano Axios, o Irão apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta de negociação para reabrir o estreito de Ormuz e pôr fim à guerra, adiando simultaneamente as negociações sobre o programa nuclear de Teerão para uma data posterior.
O jornal digital cita um funcionário norte-americano e outras duas fontes não identificadas com conhecimento do assunto.
De acordo com o funcionário, Trump tenciona analisar hoje o atual impasse nas negociações e os possíveis passos a seguir.
A proposta prevê que o cessar-fogo se prolongue por um longo período ou que ambas as partes acordem o fim definitivo da guerra e que as negociações nucleares tenham início posteriormente, uma vez aberto o estreito e levantado o bloqueio que Washington impôs a todos os navios que tentam chegar ou sair de portos iranianos, de acordo com o Axios.
Numa entrevista concedida no domingo à estação Fox News, Donald Trump deu a entender que pretende continuar com o bloqueio naval que está a asfixiar as exportações de petróleo do Irão, na esperança de que isso obrigue Teerão a ceder nas próximas semanas.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Um cessar-fogo, negociado originalmente para durar duas semanas a partir de 08 de abril, foi prorrogado sem um prazo definido, criando espaço para a diplomacia, mas prolongando simultaneamente o clima de incerteza.