Os Estados Unidos anunciaram hoje a imposição de novas sanções a indivíduos e empresas do Irão acusadas de violar os direitos das mulheres nos recentes protestos antigovernamentais que atingiram todo o país.
Entre os sancionados estão dois responsáveis de prisões, várias empresas que fabricam equipamentos para as forças de segurança iranianas e o comandante-chefe do Exército iraniano.
As mais recentes sanções foram impostas em coordenação com a União Europeia, Reino Unido e Austrália, com o anúncio feito propositalmente no Dia Internacional da Mulher.
Entre outras coisas, as sanções negam às pessoas e empresas o acesso a qualquer propriedade ou ativos financeiros mantidos nos EUA e impedem que empresas e cidadãos norte-americanos façam negócios com estes.
Os protestos em todo o Irão, que duraram meses, foram desencadeados com a morte, em 16 de setembro, de Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana de 22 anos detida pela chamada "polícia da moralidade", por alegadamente usar o lenço islâmico fora dos padrões exigidos.
Posteriormente, uma série de suspeitas de envenenamento em escolas femininas em todo o país, que deixou centenas de estudantes doentes, causou alarme sobre a violação dos direitos de mulheres e meninas e gerou novos protestos.
A educação feminina nunca foi proibida nos 43 anos de existência da República Islâmica iraniana e alguns pais relacionam os envenenamentos com os protestos que ocorreram nos últimos meses.
O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, referiu em comunicado que o Governo dos EUA "continua profundamente preocupado com o fato de as autoridades iranianas continuarem a reprimir a dissidência e os protestos pacíficos".
As autoridades norte-americanas manifestaram a sua preocupação com as "detenções em massa, julgamentos falsos, execuções extemporâneas, detenção de jornalistas e uso de violência sexual como meio de repressão de protestos".
Brian Nelson, subsecretário do Tesouro para terrorismo e inteligência financeira, destacou, na nota de imprensa, que o Governo do Irão "trata as mulheres como cidadãs de segunda classe e tenta suprimir as suas vozes por qualquer meio".
"Continuaremos a agir contra o regime, que perpetua o abuso e a violência contra os seus próprios cidadãos - especialmente mulheres e meninas", apontou Nelson.
Os EUA têm adotado várias medidas para isolar o Irão da comunidade global. Em novembro, Washington anunciou que está a tentar expulsar o Irão do principal órgão global da ONU que luta pela igualdade de género.
O Governo do Irão comemorou em fevereiro o 44.º aniversário da Revolução Islâmica de 1979, que resultou numa teocracia xiita no poder.
LUSA