Confrontos tribais no Darfur causaram pelo menos sete mortes nesta vasta região do oeste do Sudão, noticiou hoje a agência oficial Suna.
Os combates eclodiram na quarta-feira entre tribos árabes pastoris e tribos africanas numa localidade perto de Nyala, a capital do Estado do Darfur do Sul, segundo testemunhas.
O motivo dos confrontos não foi revelado até ao momento.
Homens em camelos e motos "lançaram um ataque contra a aldeia de Amouri, que foi incendiada e quatro pessoas morreram", indicou a agência Suna, acrescentando que mais duas pessoas foram mortas na quarta-feira e na quinta-feira.
Depois, outra pessoa morreu e o conflito propagou-se às aldeias vizinhas, muitas "parcialmente incendiadas" e com lojas pilhadas, de acordo com a agência oficial sudanesa, que cita um comunicado governamental.
Fonte médica confirmou à agência France Presse a chegada de 20 feridos, por disparos de balas, ao hospital de Nyala.
Um acordo assinado no início do mês entre os militares no poder e grupos civis, com o objetivo de tirar o país de um ano de crise política, foi acolhido com ceticismo, por ser considerado "vago" e "opaco" por analistas e militares pró-democracia.
Desde o golpe do chefe do Exército, o general Abdel Fattah al-Burhane, em outubro 2021, os conflitos tribais explodiram devido ao vácuo de segurança criado pelo golpe, dizem especialistas.
Uma guerra desencadeada em 2003 no Darfur entre o regime maioritário árabe de Omar el-Bechir e os rebeldes de minorias étnicas que denunciam discriminações fez pelo menos 300.000 mortos e 2,5 milhões de deslocados, essencialmente durante os primeiros anos do conflito, segundo a ONU.
Bechir, atualmente na prisão, foi deposto em 2019 sob a pressão popular e do Exército.
O Darfur continua a ser regularmente abalado pela violência, nomeadamente entre tribos rivais. Entre outros motivos, as causas são disputas territoriais e dificuldades no acesso a água.
Patrícia Gaspar