A Federação Académica de Lisboa (FAL) defendeu hoje o reforço da ação social e do investimento no ensino superior, após um estudo alertar que os elevados custos representam um obstáculo à prossecução dos estudos, apesar do retorno financeiro.
“O ensino superior é um investimento altamente compensador para os indivíduos e para o país. O verdadeiro custo para Portugal seria impedir milhares de jovens de lá chegar”, sublinha a federação em comunicado, em reação a um estudo divulgado hoje.
O estudo, realizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior, confirmando que o retorno financeiro é elevado, mas os custos continuam a representar um obstáculo para muitas famílias.
Sublinhando que as conclusões confirmam que o ensino superior é “um dos maiores instrumentos de valorização individual, mobilidade social e desenvolvimento económico do país”, a FAL manifesta-se preocupada com alguns dos alertas deixados pelos investigadores.
Segundo o estudo, frequentar o ensino superior é mais barato em Portugal do que nos restantes Estados-membros da União Europeia, mas os custos são elevados para as famílias portuguesas, que suportam 30% do financiamento das instituições através das propinas.
“Portugal não pode continuar a aceitar que o acesso ao ensino superior dependa excessivamente da condição socioeconómica das famílias”, afirma a FAL.
Perante as conclusões, a federação pede ao Governo medidas concretas, em particular o reforço urgente da ação social no ensino superior e do investimento público nas instituições, bem como da oferta pública de alojamento estudantil.
Referindo-se ao ensino profissional, destacado no estudo pelos baixos níveis de transição para o ensino superior, a FAL aponta a necessidade de criar mecanismos mais flexíveis de continuidade dos estudos para esses alunos e de promover uma maior articulação entre o ensino profissional e o ensino superior.
Defendem também que o Governo aposte “de forma séria” na aprendizagem ao longo da vida, criando condições para que os trabalhadores possam regressar ao ensino superior em diferentes fases das suas vidas e flexibilize o reconhecimento de competências e aprendizagens prévias.
A propósito dos dados sobre os rendimentos auferidos pelos diplomados de ensino superior, e das diferenças entre áreas, a FAL sugere, em linha com os autores do estudo, reforçar a transparência sobre os percursos académicos e profissionais dos diplomados, garantido que os estudantes têm informação clara sobre empregabilidade, salários e trajetórias profissionais associadas às diferentes áreas de estudo e instituições.