Milhares de sudaneses apoiantes dos militares manifestaram-se hoje em Cartum para expressar a sua rejeição das conversações propostas pela ONU para resolver a crise desencadeada pelo golpe de Estado de outubro, segundo a France-Presse (AFP).
Os manifestantes reuniram-se junto à sede das Nações Unidas em Cartum, mais de duas semanas depois de o enviado da ONU, Volker Perthes, ter lançado conversações indiretas entre os partidos civis e militares sudaneses.
"Abaixo a ONU" e "Perthes vai para casa" foram as palavras nos cartazes dos manifestantes.
"Recusamos a interferência estrangeira nos assuntos do nosso país", disse Hamed al-Bashir, um dos manifestantes, citado pela AFP.
Em 10 de janeiro, Perthes anunciou o lançamento de conversações separadas entre a ONU e os atores locais para "ajudar os sudaneses a chegar a um acordo sobre uma saída para a crise" após o golpe de Estado de 25 de outubro, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhane.
O Conselho Soberano, a mais alta autoridade no Sudão agora sob o controlo do general Al-Burhane, saudou a iniciativa da ONU, assim como os Estados Unidos, o Reino Unido, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Egito.
As Forças para a Liberdade e a Mudança, que lideraram a revolta que levou à expulsão do ditador Omar al-Bashir, em abril de 2019, após três décadas no poder, disseram que se juntariam às conversações "para restaurar a transição democrática".
"O nosso papel nesta fase de consultas para um processo político para o Sudão é ouvir os partidos sudaneses", disse Stephanie Khoury, diretora do gabinete de assuntos políticos da ONU no Sudão, citada hoje no Twitter da organização.
Desde o golpe, têm-se realizado protestos contra o poder militar no Sudão, que são violentamente reprimidos, e nos quais pelo menos 77 manifestantes foram mortos, de acordo com o Comité dos Médicos Sudaneses.
Na quarta-feira, um jovem de 18 anos foi baleado na cabeça, de acordo com a mesma fonte.
LUSA