Segundo os dados do Banco de Portugal divulgados à Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) relativos ao primeiro trimestre de 2026 revelam um crescimento significativo do endividamento das famílias na Região.
O saldo dos empréstimos concedidos a famílias atingiu os 3.370,7 milhões de euros, um aumento de 281,3 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior, equivalente a uma subida de 9,1%. Mais de três quartos deste valor, 73,7%, corresponde a crédito à habitação, sendo os restantes 26,3% referentes ao consumo e outros fins.
O número de devedores no segmento das famílias cresceu para 105,4 mil, mais 1,9 mil do que um ano antes. Destes, 43,1 mil têm crédito à habitação e 90 mil crédito ao consumo e outros fins. Já no segmento do crédito ao consumo este indicador ascendeu aos 3,2%, superando em 0,7 pontos percentuais a média nacional de 2,5%.
Os empréstimos vencidos totalizaram 32 milhões de euros, dos quais 28,6 milhões dizem respeito ao consumo. Em termos globais, o crédito vencido registou uma variação de +20,3%, tanto em relação ao trimestre anterior como em termos homólogos.
A percentagem de devedores com empréstimos vencidos situou-se em 6,5% na Madeira, abaixo dos 7,6% registados no continente, ainda que tenha aumentado 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior.
Tecido empresarial recuou
No setor empresarial, o saldo dos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras recuou ligeiramente para 1.756,7 milhões de euros, menos 0,6% do que em março de 2025. O número de empresas com empréstimos era de 5,2 mil, ligeiramente acima dos 5,1 mil de um ano antes.
O crédito malparado das sociedades não financeiras com sede na Região ascendeu a 17,7 milhões de euros, com o rácio de crédito vencido a fixar-se em 1,0%, abaixo da média nacional de 1,9%. A percentagem de devedores empresariais com empréstimos vencidos situou-se em 13,7%, também inferior à média nacional de 14,4%.
Depósitos crescem
Do lado dos depósitos, os sinais são positivos nas famílias e nas empresas. Os depósitos das famílias cresceram 4,0% em termos homólogos, atingindo 4.506,3 milhões de euros, com uma subida trimestral de 0,9%.
Os depósitos das empresas subiram 16,1% para 2.150,1 milhões de euros, mais 2,6% face ao trimestre anterior.
A exceção vai para os depósitos dos emigrantes, que continuam em queda: 122,8 milhões de euros no final de março, uma redução de 21,1% face ao mesmo período de 2025 e de 2,1% relativamente ao trimestre anterior.