Morreu o nosso querido José Luiz da Silva. Finou-se, como ele escreveria, um português bom. Um lutador, no verdadeiro sentido da palavra.
José Luiz da Silva foi, durante décadas, o rosto e a voz da comunidade madeirense na África do Sul. Foi também o texto, a notícia e a opinião livre.
Foi durante anos correspondente do Diário de Notícias na África do Sul. Mas a mudança de paradigma do JM, na versão privada, fê-lo mudar para o outro lado da rua, juntamente com o então novo trio diretivo do Jornal.
E aqui, nestes quase nove anos, José Luiz fez o que melhor sabia: dava notícias, percorria centenas de quilómetros para confirmar suspeitas, obtinha testemunhos e fotografias.
Era um correspondente à moda antiga. Alguém que conhecia os lugares e as pessoas. Que mostrou Joanesburgo e arredores a tantas comitivas madeirenses, em visitas recheadas de histórias deliciosas, como só ele sabia contar.
Mais do que um correspondente de jornal, o José Luiz foi um representante da comunidade madeirense junto do Governo Regional e das autoridades sul-africanas. Foi guia. Foi voz. Foi caminho aberto para resolver problemas que não eram dele, mas que tomou a peito, resolvendo-os ou ajudando a resolvê-los como se fossem seus.
Pragmático e com uma visão muito clara, foi também um emigrante desiludido com o desinteresse do Governo português e, por vezes, do Governo Regional. Guardou até ao fim a mágoa pelo abandono da TAP da África do Sul, algo que nunca compreendeu, muito menos aceitou.
José Luís da Silva era visita regular na redação do JM. Sempre que vinha à Madeira, passava pelo seu Jornal. E era suposto esperarmos por ele outra vez este ano.
Mas já não virá mais. Não escreverá mais.
Fica o que disse, o que escreveu, o que anunciou e denunciou. E fica muito.
Um abraço à família e aos amigos. E obrigado, José Luiz.