O espetáculo de teatro contemporâneo ‘A Viagem Artificial’, inspirado na obra ‘As Ilhas Desconhecidas’, de Raúl Brandão, iniciou a sua circulação pelo arquipélago dos Açores no passado dia 4 de fevereiro, na Aula Magna da Universidade dos Açores, em São Miguel. A produção é apresentada pela APCA – Agência de Promoção da Cultura Atlântica, em coprodução com a ADCA – Agência para o Desenvolvimento da Cultura nos Açores.
De acordo com a entidade promotora, a criação parte da viagem literária de Raúl Brandão pelos arquipélagos atlânticos para propor “uma reflexão crítica sobre a identidade insular e sobre a forma como o imaginário das ilhas tem sido construído ao longo do tempo”. O espetáculo questiona “visões idealizadas ou fixas da insularidade”, convocando temas como memória, território, pertença e transformação, com um olhar dirigido aos desafios contemporâneos e futuros dos territórios insulares.
Com uma abordagem cénica contemporânea, ‘A Viagem Artificial’ cruza literatura, teatro e tecnologia, entendendo a insularidade como uma condição cultural, social e política em permanente construção. Concebida para salas de espetáculo, a produção procura oferecer uma experiência artística ajustada tanto a contextos culturais como educativos.
A encenação aposta numa relação direta entre o ator Edmundo Rosa e o público, integrando dispositivos cénicos e tecnológicos que estimulam a participação e o envolvimento ativo dos espectadores, com especial atenção aos públicos mais jovens. A dimensão tecnológica surge como ferramenta de mediação e diálogo, promovendo a interação em tempo real e incentivando o pensamento crítico.
Segundo a APCA, o espetáculo reafirma o teatro como “um espaço de encontro, reflexão e partilha, onde se articulam criação artística, educação e cidadania”, reforçando o papel das artes performativas em contextos escolares e comunitários.
A circulação abrange todas as ilhas dos Açores entre 4 de fevereiro e 22 de abril, terminando na ilha das Flores. A próxima sessão está marcada para hoje, 10 de fevereiro, no Teatro Ribeiragrandense, em São Miguel, regressando a 6 de março ao Cineteatro Atlântida, em Santa Maria. A produção prevê ainda apresentações no arquipélago da Madeira, cujas datas se encontram em fase de agendamento.
O espetáculo apresenta texto e encenação de Sara Gonçalves, interpretação de Edmundo Rosa e conta ainda com voz-off da própria encenadora. O figurino e adereços são de Rita Álvares Pereira, os vídeos e desenhos de luz de Cristina Piedade e o ambiente sonoro de Fernando Chainço. A coprodução é assinada pela APCA e pela ADCA, com apoio da República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto/Direção-Geral das Artes e do Governo dos Açores, envolvendo parcerias com diversas autarquias, instituições culturais e a Universidade dos Açores.