A vaca é privatizada, a baleia não!

Quem costuma como eu seguir o Tiktok já se deparou com um discurso extremamente convincente e neoliberal a dizer que a solução para a extinção das baleias é que as mesmas fossem privatizadas para as salvar da extinção, a exemplo das vacas que foram privatizadas, como é óbvio, num ouvinte mais desprevenido acreditaria nisso e diria: “vamos privatizar os animais que estão em vias de extinção…” a verdade é que tal fenómeno já foi popularizado pelo ecologista Garrett Hardin, imaginem só em 1968 com a “The Tragedy of the Commons”. Logo, não está certo privatizar, está certo regular!

Recentemente, ouvimos algo semelhante em relação à nossa Natureza, só será possível preservar se a mesma for “privatizada” ou melhor for pago o seu acesso. Não é preciso eu escrever, nem dissertar sobre o mesmo assunto, já que está mais que visto que não é esta a solução: é sim termos um turismo sustentável. Deverá existir uma taxa turística, independentemente daquilo que venha fazer o turista e pagar 1€/dia e daria para tudo, a exemplo do que existe em grandes cidades europeias. E esse valor seria para preservar os recursos naturais da nossa terra. Sabem… raramente ouvi alguém dizer que veio à Madeira para desfrutar dos maravilhosos hotéis que temos, mas, na sua grande maioria, é para viver a nossa Natureza, o nosso mar, a nossa floresta, as levadas a meio da Laurissilva. Logo… O que procuram mesmo os turistas? Qual é o nosso foco? O que se deve preservar? O que se deve proteger?

Nestas últimas, semanas vimos as notícias que Dom Philips e Bruno Pereira, que não eram mais que um jornalista britânico e um ativista indígena brasileiro, respetivamente, foram assassinados na floresta Amazónica. A Amazónia é na sua maioria do Brasil, logo eles terão de encontrar uma solução para protegê-la, mas atenção, o planeta é de todo um Mundo, apesar daqueles quem insistem em só ver o seu umbigo, o seu território e a sua casa...

Recentemente, o filme: “Não olhem para cima” protagonizado por Leonardo DiCaprio demonstra bem como o Mundo vive. Salte o resto do parágrafo já que irei fazer spoiler alert: Está um meteorito na direção do Planeta, primeiramente ninguém quer saber e até alguns dizem ser mentira e teorias da conspiração, posteriormente a Presidente dos Estados Unidos da América, após a publicação de notícias a alarmar as populações, manda então lançar uns mísseis para destruir o meteorito ou desviá-lo da Terra. No entanto, chega um magnata da tecnologia que diz que o meteorito tem metais preciosos e daria para enriquecer todo o Mundo e tem uma solução, como é óbvio a solução saiu furada. Os outros países, tal como a Rússia e etc… tentam destruir o meteorito, mas também falham… Logo, esse rico já tinha um plano B, pois tinha umas naves para criopreservar alguns seres humanos importantes até encontrar um planeta habitável. Consequentemente, a população mundial é extinta e o planeta acaba.

Toda esta estupidez parece ser o que se vive. Como é óbvio não vamos mudar o Mundo, mas podíamos começar com a nossa rua, com o nosso bairro, com a nossa freguesia, com o nosso concelho, se calhar com a nossa ilha.

Como diria o Ben, tio do Homem-Aranha: “com grande poder vem grande responsabilidade”. Aqueles que têm maiores poderes têm maiores responsabilidades. Atenção, esses mesmos podem ser muito poderosos cá, mas chegando a Badajoz ninguém os conhece, e reflitam que dificilmente irão embarcar em qualquer nave de um magnata da tecnologia, logo comecemos por lutar pela nossa pequena ilha que poderá ser um grande exemplo.

Não temos um jornalista Dom Philips e um ativista Bruno Pereira, mas em homenagem a esses homens e a outros tantos que procuram salvar as nossas vidas, lutemos! Por mais Natureza, por menos estradas!