Tolentino Mendonça garante ter “relação muito aberta” com o Papa

Redação

José Tolentino Mendonça abordou, esta semana, vários assuntos sobre a sua vida pessoal e religiosa, tendo relevado que mantém uma boa relação com o Papa Francisco.

“Tenho uma relação muito aberta com o Papa, que escuto muito, e procuro ser um colaborador leal e presente”, revelou o sacerdote, em entrevista a Francisco Pinto Balsemão, no podcast ‘Deixar o Mundo Melhor.’

Nesta conversa, Tolentino Mendonça percorre várias etapas da sua vida, desde s infância em Angola, à ligação com a Madeira e a sua estadia em Roma e no Vaticano.

"Foi uma etapa para mim muito importante, porque são os primeiros anos da vida, as primeiras coisas que vemos, que temos consciência, digamos. Foi ali que andei na escola pela primeira vez, que me iniciei na experiência do mundo e de facto quem teve essa experiência por África sabe que há uma marca que permanece, porque África dá-nos essa dimensão da vastidão, [da] largueza do espaço (...) uma limpidez que nos fica gravada no coração", contou o poeta sobre a sua vivência naquele país africano, o qual abandonou na sequência da descolonização, fazendo parte dos milhões de retornados que voltaram a Portugal.

A este propósito, Tolentino Mendoça afirmou "que Portugal ainda não [soube] encontrar uma narrativa na qual possa falar livremente do que foi o nosso encontro com África".

Já sobre o seu trabalho enquanto arquivista e bibliotecário do Vaticano, para o qual foi convidado em 2018 pelo próprio Papa, o cardeal revelou uma curiosidade. "De todos os serviços que existem na Cúria romana só há dois que permanecem quando morre um Papa, todos os outros ficam demissionários, mas dois continuam no pleno das suas funções. Um é o penitenciário-mor, para perdoar os pecados, e o outro é o bibliotecário para garantir a integridade documental", disse.