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Artigo de Opinião

Vice-presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz

6/05/2024 08:00

Escrevo este artigo no rescaldo de mais uma Feira do Livro de Santa Cruz. A III edição deste evento, além da consagração do mesmo, foi novamente a celebração da leitura, dos livros e da imaginação como degraus imaginados para a concretização de um mundo melhor.

Tomo de empréstimo as palavras de uma das autoras convidadas, a poeta Filipa Leal, que reforçou precisamente a importância da imaginação como ferramenta necessária para a empatia. Imaginar, disse, é saber colocar-se no lugar de um outro, que é precisamente o lugar inicial da empatia tão necessária num mundo onde se julga com facilidade e se dispensa tantas vezes o pensamento crítico, a aceitação da diferença, o saber ouvir, o integrar o mundo na sua multiplicidade, o estabelecer de pontes em vez de muros.

A literatura e a leitura, assim como todas as artes, ou seja, a Cultura, são, neste sentido, um investimento necessário e um imperativo de uma consciência cívica que sabe que os saltos civilizacionais, que nos fizeram e fazem avançar, foram sempre conseguidos pela capacidade que o ser humano tem de imaginar, de criar para além da espuma dos dias, de se elevar através da arte a patamares de excelência e partilha da beleza e do saber.

É, por isso, chocante ouvir, no rescaldo de uma Feira do Livro que foi um sucesso, afirmações de que falta à Feira barracas de poncha, ou que se investe demasiado em cultura.

Não, não falta à Feira barracas de poncha, porque o que queremos é despertar cabeças e espíritos e não adormecer consciências ou anestesiar o pensamento.

Quanto à afirmação de que se investe demasiado em cultura, é um enunciado pobre que apenas serve para legitimar o investimento que se faz em cultura. Ou seja, questionar a cultura é torná-la ainda mais necessária ao ponto de não ser questionável ou questionada.

Por isso, a Feira do Livro de Santa Cruz não é um gasto desnecessário, mas um investimento vital. Precisamos de cultura como de ar e de pão, precisamos de ser mais do que esta velocidade desenfreada que a vida nos impõe. Precisamos ser este tempo de paragem para apreciar a beleza que existe nos livros, na música, nos filmes, na arte como ferramenta de superação e de pensamento livre e liberto.

São testemunho disto tudo os convidados que passaram por mais esta Feira do Livro, as crianças que encheram a promenade dos Reis Magos com a alegria da aprendizagem e da descoberta, as famílias que partilharam, durante seis dias, a magia da leitura e da arte como formas supremas da nossa humanidade.

Cito a Mafalda Veiga, nome maior da música portuguesa, que tão bem abrilhantou a nossa Feira: “Muito obrigada a toda a equipa do Município De Santa Cruz, na Madeira, à sua Presidente Élia Ascensão, e à equipa que organiza esta tão maravilhosa Feira do Livro. Foi um enorme privilégio tocar aqui para um público tão extraordinário! Obrigada, querida Raquel Gonçalves, pela paixão com que fazes que esta seja uma das Feiras do Livro mais especiais em que já participei. Foram mesmo dias únicos, inspiradores e felizes. E viva a liberdade de podermos, juntos, ser felizes assim.” São estes incentivos que nos animam e que nos dão a certeza de que estamos no caminho certo. Aos que fizeram a Feira do Livro, aos que vieram, aos que levaram consigo memórias e beleza, aos que ensinaram, aos que aprenderam, aos que viveram, aos que sorriram e cantaram, aos que desenharam, aos que escreveram, aos que vão ler, aos que vão voltar, a todos o meu Obrigada e a garantia de que para o ano havemos de fazer ainda melhor.

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