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Artigo de Opinião

Professor

6/05/2024 08:00

Machico vai celebrar o seu dia do concelho depois de amanhã. Uma nova data consensual, mas um feriado ainda muito polémico. É fácil antever que os discursos e toda a cerimónia solene serão marcados pela passagem dos cinquenta anos do 25 de Abril. Ainda se ouvem os ecos da celebração comicieira do Dia da Liberdade, no Largo da Igreja. O Município, a sua história centenária, os seus problemas atuais, os seus anseios ou aspirações ficarão certamente para segundo plano. Para os atuais titulares do poder municipal, e para as suas referências políticas, celebrar as tropelias do PREC, continua a ser o maior troféu. Apesar de terem sido governo municipal em metade de todo este tempo pós-revolução, os agora representantes do PS, daquilo que mais se orgulham é de terem liderado “o povo unido”, as movimentações populares locais de apoio ao golpe militar que derrubou o antigo regime ditatorial. Coisa de que nunca se libertaram. E é disso, e quase só disso, que alimentam os seus discursos, sempre omitindo ou minimizando a importância do 25 de Novembro de setenta e cinco, essa sim a verdadeira data de instauração da Democracia, no País e na Região.

Há uma razão evidente para que assim seja. O PS local orgulha-se do PREC (período revolucionário em curso), chama para si o exclusivo da defesa da Liberdade e da Democracia, porque dos 23 anos à frente da Câmara Municipal, pouco ou nada mais têm para se orgulhar e mostrar à população. O ter reduzido todo este longo período de poder autárquico apenas na contestação ao Governo Regional do PSD deixou um vazio, um défice de realização, uma sensação de inutilidade, que faz lembrar aquele veterano saudoso dos seus bons velhos tempos. Para ele o presente só serve para recordar o seu passado, que ele entende como glorioso e teima em deixá-lo nas páginas de uma qualquer história.

Mas Machico soube ser mais do que tudo isso. Machico soube viver Abril, como todo o País. Soube abraçar a Liberdade e entregou-se à Democracia como toda a Região. Sem precisar de patronos. Das poucas terras de Portugal onde o 25 de Abril ainda tem quem se apresente como seu dono é Machico. Donos que só apareceram no primeiro de maio, depois do golpe estar assegurado pelos militares do Continente. Contudo, este meio século veio provar que o povo, o desta terra também, dispensa, sem pestanejar, os que se consideram indispensáveis.

Depois do PREC vieram as eleições e afirmou-se a vontade popular. Machico quis a alternância e com isso mostrou a sua idoneidade política. Todos tiveram a sua oportunidade. Uns trabalharam para desenvolver o concelho. Criaram as condições básicas. Água, luz e esgotos. Veredas, caminhos e estradas. Rotundas, passeios e pontes. Estacionamentos, jardins e praias. Outros deram paleio, de que o povo também gosta. “O povo unido...”, “Terra do Povo”, “Machico verde, verde ...”, “Ai, nós os coitadinhos...”. E Machico foi-se compondo nessa dualidade política. Como concelho integrado numa região de sucesso, num país de democracia consolidada e pertencente à União Europeia, resistiu e ultrapassou as suas vicissitudes, como se nada o diferenciasse de outos. Machico é assim. É uma terra de Abril com Democracia e Liberdade asseguradas pelo 25 de Novembro e desenvolvida com o suor dos machiquenses e a ajuda de muito dinheiro da União Europeia. Como todo o Portugal. Essa é a melhor e mais verdadeira história que Machico tem para contar às novas gerações. O resto é embuste.

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