O Papa Leão XIV afirmou que a remigração, política proposta por vários partidos de extrema-direita italiana, incluindo o novo grupo Futuro Nacional, não é um conceito que esteja de acordo com os princípios cristãos.
“Muitas vezes não reconhecemos as razões pelas quais estas pessoas tiveram de abandonar os seus países”, disse o pontífice aos jornalistas na terça-feira, em frente à residência papal em Castel Gandalf, a propósito da remigração.
“Há muitas razões: violência, guerra, conflitos. E dizer simplesmente: Vamos mandá-los embora, para que possamos lavar as mãos do problema não me parece a resposta mais cristã”, afirmou.
O Papa sublinhou que se deve “respeitar as pessoas, analisar os casos e, acima de tudo, tratar as pessoas como pessoas”.
No sábado, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Roma em manifestações rivais contra e a favor da imigração, após uma iniciativa popular de extrema-direita que propõe medidas contra migrantes ter reunido apoio suficiente para ser levada ao parlamento.
A petição, intitulada “Remigração e Reconquista”, ultrapassou as 50 mil assinaturas exigidas para obrigar à discussão parlamentar, levando para o debate político o conceito, até aqui marginal, de “remigração”. Ainda não foi marcada data para votação.
A proposta, promovida por grupos da direita radical, prevê medidas dirigidas a estrangeiros, incluindo retornos coercivos, incentivos à saída da Itália e políticas mais amplas que críticos consideram poder afetar também residentes legais.