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Artigo de Opinião

16/06/2026 07:35

Tenho assistido a muitas discussões, públicas e privadas, sobre a idade do Cristiano Ronaldo. Muitos dizem que está velho, apesar de correr, saltar e jogar melhor que quase todos. Não está como estava aos 30? O que é que isso interessa se, aos 30, estava anos-luz à frente dos outros? Está agora a apenas um pouco à frente; que crime. Ainda é melhor do que a maioria, ainda chega antes à bola, ainda chega mais alto para cabecear. Melhor ainda, continua a ganhar.

Um pouco mais novo, mas também já muitas vezes chamado de velho e perto da reforma, Fernando Pimenta acaba de sagrar campeão europeu de K1 5000 metros, depois de já ter conquistado o bronze no K1 1000m. A canoagem, para quem não sabe, é um desporto muito desgastante (e muito menos bem pago que o futebol), sendo normal os atletas não passarem dos 30 e poucos. O Fernando vai nos muitos, a caminho dos 40. O Fernando já devia, segundo os especialistas do comentário, aproximar-se da pista apenas para cuidar dos nenúfares, a engordar enquanto revive os bons velhos tempos apenas nas histórias que conta à família e amigos. Mas o homem é teimoso e continua a dar à pagaia. Continua a ganhar.

Levo este assunto um pouco para o nível pessoal confesso, estando a apenas meio ano dos 50 (nove anos mais velho que o futebolista, catorze mais velho que o canoísta). Ainda mais me identifico com o Fernando Pimenta porque comecei a praticar canoagem era ele pouco mais que recém-nascido. Também me identifico com os dois porque me recuso a deixar que as contas que fazem com a minha data de nascimento definam a minha capacidade para fazer as coisas que faço. Tornei-me atleta federado de futsal aos 29 anos. Não me tornei, de um momento para o outro, num virtuoso. Na realidade, nunca me tornei num virtuoso, mas nunca nenhum colega de equipa, todos bastante mais novos, me criticou pela forma física, nem nenhum adversário a conseguiu explorar. Não tinham razão nenhuma para isso.

A fase em que tive em pior forma física, diga-se, foi entre os 21 e os 25 anos: não se pode dizer que fosse velho, pois não? Aprendi e mantive-me activo daí para a frente: arranjei desportos para praticar com amigos; frequentei ginásios sem medo da idade; tive uma actividade profissional, já depois dos trinta, que me forçava a andar muito e por terrenos difíceis. Hoje, a chegar aos cinquenta e acabado de voltar à Ilha da Madeira, arranjei um emprego a tempo parcial que exige bastante do físico. Somos dois da mesma idade numa equipa de gente nova. Não se nota. Somos dois velhos, como os trapos Cristiano e Fernando, dir-se-á, mas não se nota. Como não se nota quando estou no ginásio, a fazer os mesmos exercícios que os jovens, acompanhado de mais uns quantos homens e mulheres até de idades superiores, que envergonham alguns dos jovens que se acham em melhor forma.

Isto de desconsiderar o Cristiano Ronaldo por ter mais idade do que é normal num jogador de topo é um pouco redutor. É de inveja. O homem ainda joga mais do que a maioria, repito, corre mais que a maioria, salta mais que a maioria. O homem não é velho, nem está um trapo. Se a idade lhe trouxe alguma coisa, foi experiência; e isso também conta. E muito!

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