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Artigo de Opinião

Diretor

13/06/2026 08:00

Nove discursos em menos de 24 horas serviram para exaltar, esta semana, a Autonomia. Foram manifestações de apreço pelas virtudes do modelo autonómico, umas em contexto mais histórico, outras sob a forma de manifesto político.

Foi elogiada a obra feita, que levou água, luz e estradas a toda a Região.

Foi reconhecido o crescimento económico e social.

Foi admitido o desenvolvimento alcançado.

Foram aplaudidos os indicadores de escolaridade.

Foram traçadas metas para a autonomia inacabada.

Foram feitas sérias advertências ao centralismo.

E em tudo isso, e muito mais, houve consenso. Houve palmas a rodos. Cabeças a abanar em jeito de concordância. Pontinhas de orgulho a brotar entre a plateia. Quem não?!

E também houve promessas. A da ajuda nacional para fazer a Madeira ainda maior. A de rever a Lei de Finanças. A de garantir a mobilidade. A de valorizar o Atlântico. A de fazer crescer Portugal e a Europa nas ilhas.

Houve tudo isso. E houve mesmo uma Declaração do Funchal assinada à frente de toda a gente na Fortaleza do Pico. Foram momentos importantes, carregados de valor.

E agora, o que se segue?

Agora segue-se o habitual. Cada um dos protagonistas com intervenção nacional vai à sua vida consciente de que fez a sua parte. E fizeram todos. A sério que fizeram e os magotes que assistiram são testemunhas destes momentos de elogio público das autonomias.

Mas isso não chega, como se tem visto, e não depende de quem vive deste lado do mar.

Falta o essencial. O Estado não pode pegar em tamanha unanimidade e enfiar tudo no fundo da gaveta das autonomias.

Não é possível voltar a olhar para a Lei de Finanças como se fosse um tema desconhecido e criar um grupo de trabalho para estudar o que foi devidamente estudado durante anos.

Não é aceitável falar de continuidade territorial e criar obstáculos à mobilidade aérea e mandar para as calendas a mobilidade marítima.

Não faz sentido ignorar as alterações reclamadas ao modelo fiscal.

Não é razoável fazer tábua rasa do acerto de contas nos subsistemas de saúde.

Não é sério o Estado que lava as mãos em tantas matérias de interesse regional.

Não é digno o governo nacional que desconfia dos ilhéus da Madeira e dos Açores.

Muitos outros exemplos existem e seria penoso continuar a lista. Este contencioso não é novo. A Madeira e o Estado estão nesta encruzilhada há décadas. Já não é relação, nem namoro, nem noivado, nem sequer andam para casar. É uma ligação desconfiada que se arrasta e que deve ser vigiada.

Espera-se que o Presidente da República assuma agora esse papel maior de dar sequência aos assuntos. Fazer, como nas Presidências Abertas, um relatório, um ponto da situação da Autonomia, da mobilidade, da Lei das Finanças, do que é isso da insularidade.

E cabe aos eleitos e a todos os cidadãos o dever de vigiar as instituições democráticas e não se deixar levar pelas promessas sempre adiadas e muito menos pela cantiga do centralismo.

Se há consenso, como se viu, deve haver consequência. Se todos concordam com a necessidade de mudar tanta coisa, então está na hora de mudar alguma coisa. Tudo o resto é conversa para empatar.

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