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Artigo de Opinião

16/06/2026 07:30

O Povo, também meu Mestre, ensina que a realização pessoal passa por ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro.

Na vida pública, lá plantei árvores.

No Jornalismo, ganhei o gosto de publicar, sobretudo quando dos desafios à Liberdade, antes do 25 de Abril, e depois com a traição do “gonçalvismo/comunismo” ao mesmo 25 de Abril, que o 25 de Novembro corrigiu.

Em funções governativas, mantive colaboração na Comunicação Social, para desgosto de alguns, e publiquei 3 opúsculos, além de escritos meus reunidos em livros, da responsabilidade de Quem os editou.

Nestes onze anos passados sobre a minha vida pública, publiquei quatros livros, para além de a Assembleia Legislativa da Madeira, em 2022, editar um opúsculo com a minha conferência, Aí, sobre o futuro da Autonomia.

Um quaterno de livros em onze anos, não é pouco, nem é trabalho intenso sob pressão.

O primeiro foi o “Relatório de Combate”, uma resenha histórica 1974-2015 - não uma ficção como os três posteriores. À guisa de “legítima defesa” e ancorado em documentação fundamentante. Um relato do que mais significativo na passagem da “Madeira Velha” para a “Madeira Nova”. A par estribado e integrado na descrição do que, nos planos nacional e internacional, neste período, mais influenciou a “Revolução Tranquila”.

Quando escrevo, é para o presente, mas, sobretudo, desculpem, para o julgamento da História.

Os restantes três livros são ficção. Tal facilita melhor a leitura daquilo que pretendemos transmitir. As pessoas lêm melhor um romance, do que um pesado ensaio teórico. O racional da parte de quem escreve, é saber lá pôr o que pretende...

Depois publiquei o “Diz...NÃO!”, primeiro romance. Todos sabem a minha oposição ao Sistema Político da Constituição de 1976, nunca referendada pelo Povo Soberano, impeditiva de um Regime Político democrático são, e de um Autonomia Política insular decente.

Texto que, logo no “preâmbulo”, antidemocraticamente, impõe o “caminho para socialismo”, e o restante é um “cocktail grosseiro de capitalismo, marxismo e corporativismo!”.

Ora, no “Diz... NÃO!...”, a acção que aí decorre, culmina numa alteração constitucional do Sistema Político, por decisão democrática do Povo Soberano e contra esta partidocracia, hoje na mão de oligarquias visíveis e invisíveis.

O terceiro livro, também romance, “A Senhora e a Ilha”, procura apresentar Bases Éticas e Valores que me parecem garantir a sustentabilidade e a evolução progressiva e progressista da Autonomia Política.

A encerrar este ciclo, temos agora este romance “Independência?...”.

O título é propositadamente provocador.

Porém, não sou pelo separatismo.

Num País que julgo ainda democrático, se eu fosse separatista, assumia-o sem receio. Ou voltámos ao Portugal em que são necessários “mártires” para que o Bem Comum se concretize?!...

Território pequeno, com poucos recursos naturais, importando quase tudo o que consome. Com um excesso demográfico, numa orografia agreste à fixação humana, que vem sendo agravado por políticas de turismo erradas, se “independentes” cairíamos fatalmente nas mãos, poder e abusos de uma grande Potência.

Sobretudo, somos cultural e civilizacionalmente Portugueses, apesar destes seiscentos anos. Independência seria auto-agressão.

Mas o livro não apontando para aí, não tem receio em considerar alternativas, nem de, democrática e axiomaticamente, tudo depositar nas mãos das Gerações futuras. Até para certa gente o ler com atenção...

É o Personalismo cristão, o primado da Pessoa Humana. O não nacionalismo cego. A favor do federalismo europeu.

Mas, em coerência com o conteúdo, e para não ser “chato”, o “Independência? ...” palmilha o panfletário e a sátira.

Não apenas visando alguma “classe política”.

Mas procurando atingir uma sociedade entorpecida.

Que precisa de acordar e de passar à Acção.

A Classe Média deixou-se conquistar pela “cultura burguesa” que é uma soma trágica de Relativismo, superficialidade, egoísmo, consumismo e exibicionismo.

Assim, vem sendo fácil aos poderes dominantes, públicos e privados, visíveis ou no secretismo, eliminarem a Classe Média através da Sua proletarização. Desta forma anulando a “massa cinzenta e crítica”, principal no seio do Regime Democrático, e permitindo ao capitalismo pouco esclarecido o erro grosseiro de auferir as mais-valias de salários baixos.

E apesar da Sua destruição, em curso, a Classe Média, emburguesada, vive acomodada na banalidade das “modas”, no tédio das rotinas e embrulhada pelas “propagandas” servidas pelos mercenários de serviço.

Sátira e panfleto, para busca de tempos melhores.

Um dia, no meu gabinete da Quinta Vigia, Passos Coelho disse-me: “Você, entre Lisboa e Funchal, optou por este lado. Agora aguente!”. Para não perder tempo, não lhe citei o livro do século XIX que criou Frankenstein: “O homem que fez da cidade natal o seu mundo, é mil vezes mais feliz do que aquele que aspira tornar-se demasiado grande”.

Por tudo isto, é que dedico este livro ao Povo Madeirense. A Quem tanto devo.

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