O Povo, também meu Mestre, ensina que a realização pessoal passa por ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro.
Na vida pública, lá plantei árvores.
No Jornalismo, ganhei o gosto de publicar, sobretudo quando dos desafios à Liberdade, antes do 25 de Abril, e depois com a traição do “gonçalvismo/comunismo” ao mesmo 25 de Abril, que o 25 de Novembro corrigiu.
Em funções governativas, mantive colaboração na Comunicação Social, para desgosto de alguns, e publiquei 3 opúsculos, além de escritos meus reunidos em livros, da responsabilidade de Quem os editou.
Nestes onze anos passados sobre a minha vida pública, publiquei quatros livros, para além de a Assembleia Legislativa da Madeira, em 2022, editar um opúsculo com a minha conferência, Aí, sobre o futuro da Autonomia.
Um quaterno de livros em onze anos, não é pouco, nem é trabalho intenso sob pressão.
O primeiro foi o “Relatório de Combate”, uma resenha histórica 1974-2015 - não uma ficção como os três posteriores. À guisa de “legítima defesa” e ancorado em documentação fundamentante. Um relato do que mais significativo na passagem da “Madeira Velha” para a “Madeira Nova”. A par estribado e integrado na descrição do que, nos planos nacional e internacional, neste período, mais influenciou a “Revolução Tranquila”.
Quando escrevo, é para o presente, mas, sobretudo, desculpem, para o julgamento da História.
Os restantes três livros são ficção. Tal facilita melhor a leitura daquilo que pretendemos transmitir. As pessoas lêm melhor um romance, do que um pesado ensaio teórico. O racional da parte de quem escreve, é saber lá pôr o que pretende...
Depois publiquei o “Diz...NÃO!”, primeiro romance. Todos sabem a minha oposição ao Sistema Político da Constituição de 1976, nunca referendada pelo Povo Soberano, impeditiva de um Regime Político democrático são, e de um Autonomia Política insular decente.
Texto que, logo no “preâmbulo”, antidemocraticamente, impõe o “caminho para socialismo”, e o restante é um “cocktail grosseiro de capitalismo, marxismo e corporativismo!”.
Ora, no “Diz... NÃO!...”, a acção que aí decorre, culmina numa alteração constitucional do Sistema Político, por decisão democrática do Povo Soberano e contra esta partidocracia, hoje na mão de oligarquias visíveis e invisíveis.
O terceiro livro, também romance, “A Senhora e a Ilha”, procura apresentar Bases Éticas e Valores que me parecem garantir a sustentabilidade e a evolução progressiva e progressista da Autonomia Política.
A encerrar este ciclo, temos agora este romance “Independência?...”.
O título é propositadamente provocador.
Porém, não sou pelo separatismo.
Num País que julgo ainda democrático, se eu fosse separatista, assumia-o sem receio. Ou voltámos ao Portugal em que são necessários “mártires” para que o Bem Comum se concretize?!...
Território pequeno, com poucos recursos naturais, importando quase tudo o que consome. Com um excesso demográfico, numa orografia agreste à fixação humana, que vem sendo agravado por políticas de turismo erradas, se “independentes” cairíamos fatalmente nas mãos, poder e abusos de uma grande Potência.
Sobretudo, somos cultural e civilizacionalmente Portugueses, apesar destes seiscentos anos. Independência seria auto-agressão.
Mas o livro não apontando para aí, não tem receio em considerar alternativas, nem de, democrática e axiomaticamente, tudo depositar nas mãos das Gerações futuras. Até para certa gente o ler com atenção...
É o Personalismo cristão, o primado da Pessoa Humana. O não nacionalismo cego. A favor do federalismo europeu.
Mas, em coerência com o conteúdo, e para não ser “chato”, o “Independência? ...” palmilha o panfletário e a sátira.
Não apenas visando alguma “classe política”.
Mas procurando atingir uma sociedade entorpecida.
Que precisa de acordar e de passar à Acção.
A Classe Média deixou-se conquistar pela “cultura burguesa” que é uma soma trágica de Relativismo, superficialidade, egoísmo, consumismo e exibicionismo.
Assim, vem sendo fácil aos poderes dominantes, públicos e privados, visíveis ou no secretismo, eliminarem a Classe Média através da Sua proletarização. Desta forma anulando a “massa cinzenta e crítica”, principal no seio do Regime Democrático, e permitindo ao capitalismo pouco esclarecido o erro grosseiro de auferir as mais-valias de salários baixos.
E apesar da Sua destruição, em curso, a Classe Média, emburguesada, vive acomodada na banalidade das “modas”, no tédio das rotinas e embrulhada pelas “propagandas” servidas pelos mercenários de serviço.
Sátira e panfleto, para busca de tempos melhores.
Um dia, no meu gabinete da Quinta Vigia, Passos Coelho disse-me: “Você, entre Lisboa e Funchal, optou por este lado. Agora aguente!”. Para não perder tempo, não lhe citei o livro do século XIX que criou Frankenstein: “O homem que fez da cidade natal o seu mundo, é mil vezes mais feliz do que aquele que aspira tornar-se demasiado grande”.
Por tudo isto, é que dedico este livro ao Povo Madeirense. A Quem tanto devo.