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Artigo de Opinião

Deputada Municipal do Funchal pela IL

15/06/2026 07:30

Chega junho e, com ele, regressam as celebrações do Pride Month. Todos os anos, este período gera debates, opiniões e, por vezes, incompreensões. Há quem o veja como uma afirmação necessária de direitos e liberdade; há quem questione a sua relevância numa sociedade que considera já suficientemente inclusiva.

Confesso que o Pride leva-me sempre a refletir sobre algo de que raramente falei publicamente.

A verdade é que a minha orientação sexual nunca foi um aspeto central da minha identidade. Nunca senti necessidade de a anunciar, mas também nunca a escondi. Aliás, durante grande parte da minha vida, desejei que fosse encarada exatamente como aquilo que é: apenas mais uma característica, sem necessidade de apresentações ou explicações adicionais.

Ainda assim, acredito que muitas pessoas reconhecem aquela pequena hesitação que por vezes surge quando conhecemos alguém novo. A dúvida silenciosa sobre quando — ou sequer se — devemos mencionar algo que, idealmente, deveria ser completamente irrelevante. Como se uma parte perfeitamente normal da nossa vida tivesse de ser cuidadosamente introduzida numa conversa.

Tive sorte. Cresci numa família que nunca me fez sentir diferente. Nunca me fez sentir que havia algo a explicar, justificar ou pedir desculpa. Que me permitiu simplesmente ser eu própria.

Mas sei que essa não é a experiência de todos.

É precisamente por isso que o Pride continua a ter significado.

Não porque todos tenham de participar em marchas. Não porque todos tenham de empunhar uma bandeira arco-íris. E certamente não porque a orientação sexual deva definir quem somos.

O seu verdadeiro significado está noutro lugar: na defesa da liberdade de cada pessoa viver a sua vida de forma autêntica.

Por vezes, sobretudo em sociedades democráticas, habituamo-nos a encarar certas conquistas como garantidas. Assumimos que os direitos adquiridos permanecerão para sempre e que a aceitação continuará a avançar de forma inevitável.

No entanto, basta observar o mundo atual para perceber que a realidade é menos linear. O crescimento de movimentos intolerantes, a erosão de algumas liberdades e o reaparecimento de discursos de ódio recordam-nos que nenhum progresso é irreversível.

A liberdade nunca está garantida. A aceitação também não.

Ao longo da vida, vivi momentos que, apesar de aparentemente insignificantes, ajudam a compreender esta realidade. Momentos em que optei por não falar da minha orientação sexual num novo ambiente profissional. Momentos em que percebi que determinadas pessoas poderiam olhar para mim de forma diferente. Momentos em que uma piada “inofensiva” deixava implícita uma mensagem menos inocente.

Muitas vezes subestimamos o impacto destes pequenos gestos e comentários. Mas são precisamente esses episódios que influenciam profundamente a forma como alguém se sente. E, sobretudo, se uma pessoa se sente segura para ser quem é.

Esta situação pode ser ainda mais decisiva para um jovem que está a descobrir a sua identidade.

Por isso, se existe uma mensagem que retiro deste Pride Month, é uma mensagem simples: sejam vocês próprios.

A vida é demasiado curta para ser vivida em função das expectativas dos outros, do receio do julgamento alheio ou da necessidade constante de corresponder a ideias que não são nossas. No final, a única pessoa com quem convivemos todos os dias, durante toda a vida, somos nós mesmos.

Vale a pena garantir que essa pessoa pode viver com honestidade, autenticidade e liberdade.

Por fim, quero agradecer a todos aqueles que vieram antes de nós. A todos os que desafiaram a discriminação, lutaram pela igualdade de direitos, enfrentaram conversas difíceis e contribuíram para construir uma sociedade mais livre e mais segura.

Graças a esse trabalho, tive a oportunidade de viver uma vida em que ser eu própria foi, na maior parte do tempo, algo maravilhosamente normal.

E é exatamente assim que deve ser.

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