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USAM: “Há um padrão estrutural de desigualdade na Região”

Paula Abreu

Jornalista

Data de publicação
04 Março 2026
14:22

A União de Sindicatos da Madeira (USAM) defende, em nota de imprensa, que a igualdade consagrada na Constituição continua longe de estar plenamente concretizada na vida das mulheres trabalhadoras da Região, alertando para níveis persistentes de precariedade, discriminação salarial e instabilidade profissional.

Sob o lema “A Igualdade que Abril Abriu! Reforçar direitos – Cumprir a Constituição!”, a estrutura sindical comemora a Semana da Igualdade, de 2 a 8 de março, e sustenta que os dados na Região Autónoma da Madeira revelam um padrão estrutural de desigualdade. “Quase metade dos contratos a termo pertencem a mulheres. A maioria das pessoas desempregadas são mulheres. O subemprego e o trabalho a tempo parcial atingem sobretudo mulheres. Isto não é coincidência”, afirma a USAM no comunicado.

Segundo a organização, mesmo quando os indicadores globais parecem positivos, escondem desigualdades profundas. A precariedade, sublinha, “tem rosto feminino” e afeta de forma particular as jovens trabalhadoras, muitas vezes presas a vínculos a prazo e salários baixos, adiando decisões pessoais e familiares.

A USAM denuncia ainda práticas discriminatórias no acesso ao emprego. “É inaceitável que, em pleno século XXI, continue a ser perguntado a uma mulher, numa entrevista de trabalho, se pretende engravidar”, refere, acrescentando que a maternidade não pode continuar a traduzir-se em instabilidade ou não renovação contratual. “A maternidade é um direito. Não é um fator de exclusão.”

No plano salarial, a estrutura sindical aponta que as mulheres ganham, em média, menos 205 euros por mês do que os homens. Entre trabalhadoras com vínculo precário, a diferença agrava-se: recebem menos 20% do que quem tem contrato permanente. Para a USAM, estes números refletem menor autonomia económica e maior vulnerabilidade social.

O comunicado destaca ainda o peso do trabalho doméstico e de cuidados, que continua maioritariamente a cargo das mulheres. “Não é vocação. É trabalho. E tem de ser reconhecido”, sustenta.

A organização exige medidas políticas concretas para combater a precariedade, valorizar salários, reforçar a contratação coletiva e assegurar proteção efetiva da maternidade. “Cinco anos de contrato a termo são cinco anos de insegurança”, alerta, defendendo que a igualdade não pode permanecer como promessa adiada.

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