Face ao crescimento económico regional, impulsionado pelo turismo, Filipe Rebelo, presidente da Associação Portuguesa das Pessoas com Necessidades – Sem Limites, questiona se a inclusão está a acompanhar esse desenvolvimento.
A Associação reconhece no turismo “um pilar essencial do desenvolvimento económico e social da Região”, todavia, indaga: “estamos a crescer de forma inclusiva ou apenas a aumentar indicadores económicos?”.
“Apesar do discurso público centrado na qualidade, sustentabilidade e excelência, a realidade no terreno demonstra que a acessibilidade continua a não ser tratada como prioridade estrutural. Pessoas com deficiência enfrentam, de forma recorrente, barreiras no alojamento, nos transportes, nos espaços públicos, na oferta cultural e nos eventos. Esta realidade é conhecida, repetida e amplamente sinalizada”, descortina o presidente da Sem Limites.
A Associação sublinha, ainda, que “o turismo acessível não é assistencialismo nem um detalhe secundário”, mas sim “um critério internacional de competitividade e de um mercado em crescimento na Europa”. “Um destino que não assegura acessibilidade limita o seu alcance, reduz a sua atratividade e compromete a sua reputação externa”, alerta, em comunicado.
Perante o aumento do turismo, a Associação Sem Limites considera legítimo questionar: “Que medidas concretas estão a ser implementadas para garantir acessibilidade turística?; Que investimento estruturado foi realizado nesta área?; Que mecanismos de fiscalização asseguram o cumprimento da lei?; E por que razão quem vive estas dificuldades diariamente continua a não ser ouvido nos processos de decisão?”.
Mais frisa que a inclusão “não se constrói com intenções nem com campanhas pontuais”, mas sim “com planeamento, execução, fiscalização e escuta efetiva de quem está no terreno”.