Os representantes dos portos das Regiões Ultraperiféricas (RUP) da União Europeia de Portugal, Espanha e França vão levar em maio a Bruxelas um conjunto de preocupações relacionadas com a futura Estratégia Europeia dos Portos.
“O nosso foco deve estar na sensibilização das autoridades europeias, sobre a importância de manter para lá de 2023, as atuais isenções de ETS [(Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia] para as rotas entre os Estados-membro e as respetivas RUP’s, e o mesmo para as rotas inter-RUP’s”, explicou a presidente do conselho de administração dos Portos da Madeira, Paula Cabaço, que reuniu esta semana, em Miami, Estados Unidos, com os parceiros que integram o grupo de trabalho das RUP’s para a estratégia dos portos.
Paula Cabaço esteve nos Estados Unidos no âmbito da Seatrade Cruise Global 2026, o maior e mais importante encontro mundial da indústria dos cruzeiros, que decorreu entre 13 a 16 de abril, no Miami Beach Convention Center, onde defendeu “apoios financeiros robustos”, para a realização dos investimentos associados a eletrificação dos portos das regiões ultraperiféricas, nomeadamente a instalação de OPS (Onshore Power Supply), que permitem aos navios acostados desligarem os motores e funcionarem com a energia elétrica de terra.
“Outro ponto, é a necessidade de uma maior flexibilidade no âmbito do ‘FIT for 55’ no Regulamento AFIR [Regulamento da Infraestrutura para Combustíveis Alternativos] que obriga os portos a implementar infraestruturas para fornecimento de combustíveis alternativos”, continuou a presidente da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM, SA), empresa tutelada pela Secretaria Regional da Economia, lembrando que a implementação deste regulamento pressupõem um volume de tráfego e uma previsibilidade da procura, que não se verifica na Região. Esta tem sido, de resto, uma preocupação do Governo Regional, já manifestada junto das instituições europeias.
Um ponto-chave da reunião foi a oportunidade de apresentar os resultados deste trabalho conjunto às instituições europeias e aos stakeholders envolvidos na definição destas políticas, reforçando a visibilidade dos portos das RUP e garantindo que as suas perspetivas sejam devidamente consideradas.