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Raimundo Quintal alerta para impactos da visitação excessiva nos ecossistemas

Data de publicação
26 Janeiro 2026
10:39

O Clube de Ecologia Barbusano, da Escola Secundária de Francisco Franco, promoveu no passado dia 21 de janeiro uma conferência subordinada ao tema ‘Impactos da visitação excessiva no equilíbrio dos ecossistemas’, tendo como orador convidado o professor Raimundo Quintal, geógrafo e investigador do Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa.

Na abertura da sessão, Raimundo Quintal começou por recordar a história do próprio Clube de Ecologia Barbusano, salientando que foi um dos seus fundadores, em conjunto com docentes de áreas como Matemática, Geografia e Desenho, sublinhando a importância do papel que este tipo de estruturas tem na formação ambiental dos alunos.

O investigador destacou que, após a pandemia, se verificou um ‘boom’ turístico a nível global, fenómeno que também se refletiu na Região Autónoma da Madeira, com consequências delicadas para as áreas naturais devido à visitação excessiva. Entre os exemplos apresentados, deu particular ênfase à zona do Fanal, considerando que a pavimentação da estrada de acesso, em 2002, foi prejudicial para a preservação ambiental daquele espaço.

Raimundo Quintal defendeu o encerramento do Fanal ao turismo como medida necessária para permitir a recuperação da biodiversidade e propôs a retirada do gado ali existente, com o seu encaminhamento para a Santa, no concelho do Porto Moniz, onde, no seu entender, existiriam melhores condições para garantir o bem-estar animal. Referiu ainda que os lençóis freáticos daquela zona se encontram contaminados, considerando urgente a retirada dos animais.

Na sua intervenção, recordou que as Nações Unidas declararam o período 2021–2030 como a Década para o Restauro dos Ecossistemas, alertando para a enorme pressão a que estes estão sujeitos, em particular devido ao excesso de turismo. Apontou como exemplo as medidas de controlo de acesso às áreas protegidas nos Açores, que classificou como rigorosas e sensatas, defendendo que poderiam servir de referência para a Madeira.

O conferencista destacou também o trabalho desenvolvido pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, atualmente designada Associação dos Amigos dos Ecossistemas do Arquipélago da Madeira (ECOAMA), nomeadamente no restauro dos ecossistemas de montanha e na recuperação da floresta Laurissilva, com especial enfoque na remoção de plantas invasoras no Campo de Educação Ambiental do Santo da Serra, área de nove hectares doada por Eva Durão.

Raimundo Quintal considerou que as taxas turísticas, por si só, não resolvem a pressão sobre as áreas naturais, defendendo a necessidade de assegurar transportes públicos para estes locais, travar o acesso de veículos particulares e definir capacidades de carga com base em estudos científicos. Criticou ainda o facto de os madeirenses terem de pedir autorização para percorrer alguns trilhos, lembrando que muitas pessoas colaboram na sua manutenção para aceder às suas propriedades.

Durante a conferência, apresentou um estudo da Secretaria Regional do Turismo realizado entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, que indicava que o principal motivo das viagens à Madeira era o contacto com a Natureza, com 34% das respostas, enquanto o golfe representava apenas 1%. Neste contexto, criticou a prioridade dada a esta atividade, que consome grandes volumes de água, defendendo que este recurso deve ser prioritariamente destinado ao consumo humano e à agricultura, lembrando que em várias zonas da região a escassez de água no Verão inviabiliza a atividade agrícola.

O investigador sublinhou ainda a importância da floresta Laurissilva, Património Natural da Humanidade desde 1999, que classificou como “a mãe” dos madeirenses por ser fonte essencial de água, lamentando que seja pouco conhecida pela população. Defendeu uma maior divulgação, considerando que quem conhece, valoriza e protege.

Na parte final da intervenção, abordou o papel das levadas no transporte de água da costa norte para a costa sul, com destaque para a Levada do Norte e a dos Tornos, enaltecendo o esforço dos homens que participaram na sua construção. Questionou algumas opções governamentais, como a destruição da Levada do Lajeado, no Paul da Serra, aquando da construção da lagoa do Pico da Urze, e o que classificou como abandono da Levada Velha do Rabaçal.

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