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Artigo de Opinião

Advogado

22/01/2026 08:00

Entre o morno e o escaldante.

Ainda não totalmente refeito, procuro uma linha lógica que me leve a escolher no dia 8 de fevereiro.

Recuso a ideia preconceituosa de que o voto é necessário para afastar fantasmas. Já vi esse “filme” em 1986 quando acusaram Freitas do Amaral de fascista. Não vejo a democracia em perigo e há exemplos por essa Europa fora onde a eleição da direita mais radical não teve qualquer efeito nocivo no regime democrático.

Poderia situar a opção nos valores que norteiam cada candidato. Um pela universalidade das condições que podem levar à igualdade, outro pela valorização de uma identidade cultural que nos fez civilização ocidental. Um por “portas abertas”, outro pela afirmação de espaço próprio. A verdade, porém, é que sinto dificuldade em abraçar alguns dos outros princípios que qualquer deles afirma defender.

A questão terá de ser outra.

Nesta segunda volta não se discute o regime, mas o sistema. Queremos uma rutura ou “mais do mesmo”? Queremos um Presidente da República propulsor ou um num estilo de “embraiagem” que não deixa acelerar nem travar? O País tem mais necessidade de manter ou de inovar?

Se Seguro traz tranquilidade e moderação, leva também consigo uma ideia de imobilismo. Não se espera que deixará passar reformas que se pensavam que iriam ocorrer nos próximos tempos e imprescindíveis para a modernização do nosso País: Nova lei laboral? Sistema de saúde aberto e não exclusivo no serviço publico? Baixa de impostos e incentivos à internacionalização económica? Esqueçam!

É devedor à sua matriz e ao que andou a dizer na campanha. O Governo de Montenegro que se prepare para uma gestão cingida ao que existe e não para um desbravar ou derrubar muros. Estabilidade talvez, mas a custo de retrair reformas e incumprir o programa! O centro da política será a Assembleia da República e José Luís Carneiro será o pivot fundamental nos próximos tempos.

Se Ventura é arrojado e corajoso (também demagogo), carrega consigo a incerteza e a rutura. Introduzirá uma prática presidencial muito mais interventiva e exigente. Será um rival do Governo e estará sempre a espicaçá-lo. O sistema sofrerá um abalo e não temos a certeza se o que aí vem nos trará um País mais justo e mais transparente. É uma geração política nova, cheia de vontade de mudar. Possivelmente desvalorizará o Parlamento e deixará o seu partido em maus lençóis.

Olhando para os resultados regionais parece evidente que os madeirenses revelam cansaço da política dos últimos anos. À distância, olham para o País com descrença. Continuam a achar que a causa provém do poder central. Sentem-se injustiçados e cada vez mais não acreditam que “os do costume” alterem o quer que seja.

É certo que até agora não “regionalizaram” essa desesperança. De alguma forma dividem o que corre bem do que corre mal por territórios, separados pelo oceano. O regime autonómico e a divisão de responsabilidades permite isso. Dizem alguns estudiosos que os insulares historicamente desconfiavam e receavam do estranho que chegava pelo mar. Essa expiação ainda continua, numa época em que as comunicações tornaram tudo mais próximo e imediato.

Na primeira volta o recado foi dado. Estrondoso. Com subsídio como móbil, um generalizado protesto pela política nacional ficou dito transmitindo o que lhes ia na alma.

A segunda volta já não é tão necessária para o protesto.

É ilusório pensar que das Presidenciais sairá a reforma autonómica que muitos almejam. Com Seguro a revisão constitucional ficará na gaveta já que não é possível evitar que aberto o processo as iniciativas “perigosas” da direita surjam, colocando em apertadas vielas a atual maioria. Com Ventura, ela pode acontecer, mas o tema regional pode não ser o objetivo principal nem sequer tema de debate!

8 de fevereiro, valerá o nosso voto expresso? Os partidos que sustentam o governo nacional parece que nem querem que se fale do tema. Assobiam para o lado ou +pedem a segunda figuras que subam ao palco, diminuindo a importância desta eleição. Longe vão os tempos de “um governo, uma maioria, um presidente”.

É imperioso que a reflexão continue e nos assegure com liberdade uma escolha para o bem do País. São os próximos 10 anos que estão em causa.

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