A deslocação de 23 deputados da Assembleia da República à Região Autónoma da Madeira está a gerar forte polémica política representa, para o Partido Trabalhista Português uma “operação de cosmética política”, ado Governo Regional, alegadamente encenada para apresentar uma imagem cuidadosamente selecionada da realidade madeirense.
Segundo o PTP, em comunicado, a visita foi “milimetricamente montada” e contou com os deputados do PSD Madeira como guias do percurso institucional. Para o PTP, o objetivo foi claro: exibir projetos enquadrados no discurso da sustentabilidade ambiental, omitindo investimentos controversos ou iniciativas com resultados questionáveis.
O itinerário incluiu passagens pelas baterias da Empresa de Eletricidade da Madeira (EEM), pelo campo de golfe do Porto Santo e pela dessalinizadora da ilha dourada. Todos os locais visitados, sublinha o PTP, foram apresentados sob o prisma da transição energética e da aposta em soluções ambientais sustentáveis.
No entanto, o partido considera que a comitiva parlamentar teve acesso apenas a uma “realidade parcial e politicamente conveniente”. “O que falhou, o que correu mal e o que custou milhões aos contribuintes ficou, naturalmente, fora do enquadramento”, refere a nota.
A líder do PTP, Raquel Coelho, não poupou nas palavras ao classificar a iniciativa como um “teatro” que faz lembrar visitas organizadas por regimes fechados. “Isto faz recordar as visitas guiadas da Coreia do Norte, onde as comitivas estrangeiras contactam apenas com a ‘realidade oficial’”, afirmou, numa comparação que promete alimentar o debate político regional.
Entre as ausências apontadas pelo PTP está a fábrica de algas instalada no Porto Santo, descrita pelo partido como um investimento milionário “sem retorno visível para a população”. Para os trabalhistas, a exclusão deste projeto do roteiro levanta dúvidas sobre a transparência e a vontade de prestar contas.
O partido estranha igualmente que a Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República — cuja presença motivou a visita — não tenha questionado ou incluído no programa iniciativas consideradas controversas. Na ótica do PTP, tal omissão contribui para uma narrativa “controlada”, centrada apenas nos projetos que reforçam o discurso político do executivo regional.
A crítica do PTP insere-se num contexto mais amplo de debate sobre a fiscalização política e o escrutínio dos investimentos públicos na Região. Ao qualificar a visita como uma ação de propaganda, o partido procura recentrar a discussão na necessidade de avaliar não apenas os sucessos anunciados, mas também os projetos cujo impacto económico e social permanece por demonstrar.