A Direção da Organização Regional da Madeira do PCP (DORAM) considerou que o agravamento das condições de vida na Região resulta de opções políticas a nível regional, nacional e internacional, defendendo a necessidade de “um PCP mais forte” para enfrentar a situação económica e social.
Num comunicado divulgado após uma reunião realizada este sábado, 14 de março, os comunistas afirmam que os madeirenses e porto-santenses enfrentam um aumento do custo de vida associado a uma política que, no seu entender, promove “exploração e empobrecimento”, agravada pela escalada de conflitos internacionais.
O PCP destaca que a Madeira apresenta atualmente a taxa de inflação mais elevada do país, com 3,2% em fevereiro de 2026, acima dos 1,9% registados a nível nacional, sublinhando que estes números não refletem totalmente o aumento dos preços em áreas como alimentação, habitação, energia e comunicações.
Segundo o comunicado, os valores das rendas na Região aumentaram 7% em fevereiro face ao mesmo mês de 2025, enquanto a nível nacional a subida foi de 5,2%. Já os preços de venda das casas cresceram 12,3%.
Os comunistas apontam também para novos aumentos associados ao contexto internacional, referindo a “escalada da guerra no Médio Oriente”, que atribuem às “pretensões militares de Trump e companhia”, e criticam a atuação do Governo da República e do Governo Regional por não utilizarem mecanismos previstos na Constituição para travar a especulação de preços.
O PCP alerta ainda para o aumento do preço dos combustíveis na Região, previsto para segunda-feira, indicando que o gasóleo deverá subir 18,7 cêntimos e a gasolina 7,2 cêntimos. No comunicado é também referido o risco de um aumento do preço das botijas de gás entre 20% e 30%.
Perante este cenário, o partido acusa o Governo Regional PSD/CDS e outros partidos de adotarem medidas que considera insuficientes. “O Governo PSD/CDS, tal como o Chega, a Iniciativa Liberal ou o PS, limita-se a medidas insuficientes como mexer no ISP dos combustíveis, recusando enfrentar os lucros milionários das multinacionais da energia”, refere o documento, apontando como exemplo os lucros da Galp, que o PCP afirma terem atingido cerca de mil milhões de euros.
Entre as propostas apresentadas, os comunistas defendem a regulação dos preços dos combustíveis, a fixação do preço da botija de gás em 20 euros — “como já acontece em Espanha” —, o controlo dos preços dos bens alimentares essenciais e a intervenção nos spreads e comissões bancárias.
No comunicado, a DORAM critica também as alterações ao Subsídio Social de Mobilidade, considerando que representam “um ataque” ao direito à mobilidade dos residentes nas regiões autónomas. O PCP acusa PSD e CDS de terem contado com o apoio de Chega, Iniciativa Liberal e PS para impedir um modelo que permitiria aos residentes pagar no máximo 79 euros nas ligações aéreas entre as regiões autónomas e o continente, ou 59 euros no caso dos estudantes.
Os comunistas defendem que os problemas do país e da Região exigem “outro rumo político” e apontam a luta dos trabalhadores e das populações como fator determinante para afirmar direitos e travar retrocessos.
Entre as iniciativas destacadas pelo partido estão o almoço-comício do 105.º aniversário do PCP, marcado para 22 de março, a manifestação pelo direito à habitação no Funchal, no dia 21 de março, uma jornada de luta promovida pela União dos Sindicatos da Madeira no Dia Nacional da Juventude, a 28 de março, bem como as comemorações do 25 de Abril e a manifestação do 1.º de Maio.
A DORAM sublinha ainda a necessidade de reforçar o partido e de aprofundar a ligação às populações, defendendo uma intervenção política “ligada aos problemas e aspirações dos trabalhadores” e orientada para a organização da luta social.