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José Manuel Rodrigues defende novo contrato social para uma economia “mais humanizada”

Data de publicação
28 Outubro 2025
12:15

O secretário regional de Economia apelou, hoje, a uma união de esforços em prol de uma economia mais humana, que coloque as pessoas no centro das decisões em detrimento de um foco excessivo nos números.

Em Roma está a decorrer o Encontro Internacional pela Paz, promovido pela Comunidade de Sant’Egidio, onde líderes religiosos, políticos e economistas de todo o mundo debatem uma estratégia comum para a construção de uma sociedade mais pacífica, solidária e com novas visões para a Paz no mundo.

Nos últimos 12 anos registou-se um aumento sem precedentes do número de guerras. Só no ano passado foram sinalizados 61 grandes conflitos que ameaçam a dignidade humana e a economia de 36 países, de quase todos os continentes. Este foi o quarto ano mais sangrento, desde 1989, tendo sido contabilizadas cerca de 129.000 mortes. As principais causas prendem-se com a rejeição do sistema político, económico ou social de um Estado (73%), com questões de identidade e de autogoverno (59%) e com o controlo dos recursos e dos territórios (46%).

Estes dados foram abordados no Fórum “Por uma economia mais humana” onde participou o governante madeirense. José Manuel Rodrigues começou por lembrar que “as políticas económicas não se limitam a números; traduzem-se em oportunidades, em justiça, em esperança ou, quando malconduzidas, em exclusão, desigualdade e conflito”, frisando que “muitas das guerras e dos conflitos, que conhecemos e muitos daqueles que estão em curso, têm na sua génese a falta de justiça na economia, a desigualdade na distribuição de rendimentos, na avidez pela riqueza e na exploração humana”. Por isso, nesta cimeira internacional, o Secretário Regional da Economia colocou-se ao lado dos que defendem “economias sociais, que assegurem que o produto do seu crescimento seja bem repartido e que se reflita na melhoria de vida de cada cidadão”, contribuindo assim para “manter ou erguer Estados sociais fortes, capazes de responder às necessidades dos mais vulneráveis”, onde prevaleça o primado da Pessoa Humana. “Um dos grandes desafios do nosso tempo é conseguirmos uma Economia Justa e Humanizada, que respeite a Terra-Mãe e que dê a cada um dos seus filhos terra, teto e trabalho, com justiça e equidade”, vincou.

De modo a reduzir as tensões e os conflitos, o governante madeirense sugeriu “o perdão da dívida dos países mais pobres e a elaboração de projetos adequados de apoio ao seu desenvolvimento, sem cair na tentação fácil de novos colonialismos”.

José Manuel Rodrigues vê com muita preocupação a corrida ao rearmamento, deixando claro “que a segurança se constrói através das armas, não favorece esta Economia Humanizada e Justa que ansiamos. Antes pelo contrário, corremos o risco de desviar dinheiro que estava reservado para o combate à exclusão social, para alimentar a indústria da guerra. Não tenhamos dúvidas de que isto representa um retrocesso na nossa civilização”, avisou.

“Quando, por exemplo, a União Europeia, se prepara para cortar nos fundos dirigidos ao desenvolvimento das suas regiões, ao crescimento económico, ao fomento da agricultura e das pescas e à criação de emprego, para canalizar esse dinheiro para a Defesa, é de questionar se esta é uma opção legítima e correta, já que ela corrói os alicerces da coesão social, pilares fundamentais onde assentou a construção do projeto europeu de PAZ, Prosperidade e Solidariedade, saído da Segunda Guerra Mundial”, aclarou José Manuel Rodrigues.

Apostando no diálogo como forma de cultivar a Paz e a confiança entre os diversos intervenientes sociais, o Secretário Regional da Economia disse que “a revolução tecnológica” a que assistimos, onde se destaca a Inteligência Artificial, deve conter o humanismo como princípio orientador.

Durante três dias em debate estão temas como a importância de “uma paz desarmada e desarmante”, o futuro da Europa, a “fraternidade universal e o diálogo inter-religioso”, o perigo das armas nucleares, os novos mártires provocados pelos conflitos, o futuro das crianças, a inteligência artificial e as questões éticas perante a inovação.

Até esta terça-feira, cerca de 4 mil pessoas debatem, em Roma, estratégias para a Paz que passam, ainda, pelo fomentar do diálogo cristão-muçulmano pelo compreender na plenitude as sociedades da Asia e da África.

Para que “o mundo não sufoque” estão a ser definidas estratégias que valorizem a importância dos ideais, do cuidar da terra e da humanidade, assim como novas orientações para acudir às migrações e vias para a integração dos refugiados.

Dos caminhos traçados na capital italiana destacam-se, também, os planos para a construção de uma economia mais humana, como alternativa a um mundo cada vez mais desigual, onde a justiça e a equidade possam prosperar, longe da pena de morte, um dos temas fortes deste Encontro Internacional pela Paz.

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