O diretor do JM Madeira, Agostinho Silva nega a existência de condicionamento direto em função dos apoios governamentais que o Jornal recebe.
Quanto a uma eventual "pressão" por parte de patrocinadores ou financiadores, questão levantada pela maioria dos deputados da Comissão presentes no hemiciclo, Agostinho Silva afirmou que a pressão é uma prova que os jornalistas devem enfrentar com "uma resposta cabal" e não ao ceder ou ao encará-la como uma ofensa. "Seria muito mau se assim fosse", apontou.
Prosseguindo a audição parlamentar de discussão dos apoios à comunicação social privada, Agostinho Silva defendeu que a atividade jornalística para os jovens "é muito atrativa", mas não a nível financeiro, "nem para os jovens nem para quem está há 30 anos na profissão".
Na resposta à questão levantada pelo presidente da Comissão Especializada Permanente de Política Geral e Juventude, o deputado do PS Jacinto Serrão, o diretor do JM afirmou que "em Portugal, esta é uma das profissões que não é devidamente considerada, ainda. Para lá caminharemos", acredita.
Não obstante, é claro o interesse dos jovens na profissão, algo que se reflete no pedido de experiências de redação que o JM recebe anualmente pela altura do verão.
Numa segunda ronda de perguntas a encerrar a reunião da Comissão, em género de síntese, o administrador do JM, António Abreu, afirmou que o programa MEDIARAM apoia, sim, a produção e o emprego, mas pode ser melhorado no valor atribuído, na questão dos apoios às assinaturas da edição impressa e digital. Deve, a seu ver, cair a regra de que as empresas não podem aceder a outros programas de apoio ao funcionamento e deve também ser favorecido o apoio ao digital.
Na reunião da Comissão Especializada Permanente de Política e Juventude, houve ainda espaço para abordar o trabalho realizado pelo JM na diáspora, na voz do deputado do PSD Carlos Fernandes, ao qual Agostinho Silva respondeu que "a diáspora faz parte da missão informativa do JM".
"Não é caridade, é reconhecimento pelo papel importante que têm os nossos conterrâneos lá fora", rematou.
Catarina Gouveia