Uma madeirense, residente na Calheta, que está no Dubai com a família, relatou ao JM os momentos de angústia que viveu ontem quando começaram a ouvir os bombardeamentos iranianos.
Segundo relatou, iam de carro quando sentiram sucessivos estrondos. Pensando que não seria nada de grave, prosseguiram viagem, até que, já parados, receberam um aviso através do telemóvel.
Minutos depois, ouviu o que diz ter sido um “alarme ensurdecedor”.
“Um som que não entra só pelos ouvidos, atravessa o corpo, rasga o peito, parece separar o cérebro do coração. Não sei explicar. Só sei que o medo instala-se de uma forma nunca vista”, recorda ainda com emoção.
Estando de visita à filha, naquela cidae dos Emirados Árabes Unidos, disse ao JM que nunca pensou viver uma situação destas.
“Quando o alarme soa ninguém pensa direito. Só queremos nos proteger. Só queremos sobreviver”, sublinha.
Conta que eram cinco pessoas dentro da viatura (dois bebés, de 1 e 2 anos) e que a filha e o genro receberam um comunicado, segundo ela, “muito claro”, que era “expressamente proibido publicar ou enviar vídeos, tanto do Dubai como de Abu Dhabi”.
Ontem, por volta das 19h00 ainda ouviu alguns rebentamentos, mas mais distantes do local onde moram, que fica perto do aeroporto.
“Pelas 19h40 ouvimos sirenes. Não sabemos se eram ambulâncias ou carros da polícia... e essa incerteza ainda assusta mais. Não saímos à rua. Não por obrigação direta, mas por prudência. Ficamos resguardados para proteger a nossa segurança”, acrescenta.
Hoje tiveram apenas dois alarmes no telefone. “Pode parecer pouco, mas para quem vive isto, já é um pequeno alívio”, disse.
Entretanto, por volta das 23h16 (são 23h44), novamente um novo alarme e uma noite de incerteza.
“Nunca pensei viver algo assim. O medo de estar sob alerta, a sensação de vulnerabilidade... isso muda-nos por dentro. Pode-se brincar com muita coisa, mas nunca com a segurança”, declarou.
A família vive agora na esperança de que amanhã seja mais calmo, para acabar com o sobressalto.