A nova liderança política na Venezuela está a ser acompanhada com expectativa e apreensão, tanto no país como pela comunidade venezuelana na Madeira.
Para Miguel Albuquerque, o principal desejo é claro: “A única expectativa que nós temos e queremos é que haja uma transição para uma democracia plena”.
No entanto, segundo o presidente, ainda não existe um caminho definido para essa transição. “Ninguém sabe como é que vai ser feito. Neste momento existe alguma nebulosidade sobre essa definição”, afirmou.
Em declarações à margem do evento do mega Bolo-rei em Câmara de Lobos, Miguel Albuquerque reforça que, por agora, resta aguardar: “Temos de aguardar, porque não há nenhuma definição ainda sobre aquilo que vai ser a transição”.
Apesar da incerteza política, algumas cidades venezuelanas começam a retomar uma rotina próxima do normal. “Nós (Governo) estamos a acompanhar desde a madrugada de ontem, os centros de abastecimento de supermercados abriram”, explicou, referindo cidades como Valência, Barquisimeto e Margarita, onde “a vida foi quase normal, com alguma receio e apreensão”. Em Caracas, acrescenta, “houve também alguns supermercados que abriram”.
Entre os principais riscos identificados está uma eventual rutura no abastecimento. “O pior que pode acontecer é uma rutura na cadeia de abastecimentos”, alertou.
A comunidade venezuelana na Região mantém-se vigilante, mas serena. “Há alguma apreensão, mas uma calma na nossa comunidade”, garantiu, sublinhando os contactos permanentes com as autoridades portuguesas na Venezuela.
Segundo Miguel Albuquerque, “11 mil venezuelanos chegaram à Madeira e nenhum deles teve nenhum problema”, destacando a integração como um exemplo positivo.
Ainda assim, o presidente lembra que o futuro poderá trazer mudanças. “Se tivermos uma democracia plena na Venezuela e o país crescer economicamente, haverá maior justiça social e maior desenvolvimento”, concluiu, afirmando que esse cenário “é bom para todos, é bom para a Madeira e é bom para a nossa comunidade”.