Está a decorrer esta tarde a Manifestação Nacional de Mulheres sob o lema ‘Vida com dignidade. Direitos com Igualdade’, junto à estátua dos professores, na Ponte da Ribeira João Gomes, Funchal.
A dirigente nacional do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Elisa Mendonça, apelou à mobilização das mulheres para a defesa dos seus direitos, num momento em que alertou para os possíveis retrocessos nas áreas como o trabalho e a parentalidade.
“Nós estamos aqui com a Associação Movimento Democrático das Mulheres, uma associação que já tem mais de 50 anos no nosso país e que luta pelos direitos das mulheres e pela igualdade”, afirmou.
No contexto das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, Elisa Mendonça defende que os direitos conquistados devem ser efetivamente aplicados. “É necessário e fundamental que os direitos não fiquem só no papel. Os nossos direitos foram conquistas, mas não podem haver retrocessos”, disse.
A dirigente nacional enumerou algumas preocupações que afetam as mulheres relacionadas com o pacote laboral, os direitos, o horário flexível, a jornada contínua e o acompanhamento aos filhos. “O que nós queremos é garantir que as mulheres venham para a rua e que defendam os seus direitos”, frisou acrescentando que também existem problemas como os baixos salários, a precariedade e o trabalho a recibos verdes.
Esta manifestação reuniu cerca de 30 participantes e incluiu um debate na Posada da Juventude dedicado à importância da coletividade e da organização das mulheres enquanto força transformadora da sociedade.
Ana Cró de 60 anos, é uma das participantes da manifestação e confessou aos jornalistas ter sido vítima de violência doméstica durante 22 anos. “Até aos 38 anos vivi em sofrimento. Agora tenho a minha liberdade, posso dizer o que quiser e chegar a casa às horas que bem entender”.
A participante afirma que, após superar essa fase menos boa da sua vida, este dia ganhou outro significado. “Nunca soube o verdadeiro significado deste dia. Agora sei, e a liberdade é a melhor coisa que nós podemos ter”, frisou.
Ana Cró contou que se sentiu sozinha durante o período em que foi vítima de violência doméstica, mas garante que hoje é uma mulher mais feliz.
Recorde-se que hoje, Dia Internacional da Mulher cerca de 19 cidades do país aderiram à Manifestação nacional de Mulheres.