O presidente do conselho diretivo do Património Cultural, I.P., João Soalheiro, afirmou esta quinta-feira, no Funchal, que a intervenção de requalificação do Palácio de São Lourenço teve de ser reforçada financeiramente devido ao “grave” estado de conservação identificado durante a obra.
À margem de uma audiência com o representante da República para a Madeira, Paulo Barreto, João Soalheiro explicou aos jornalistas que o investimento inicialmente previsto para o palácio passou “de um milhão e oitocentos e cinquenta mil euros para dois milhões e trezentos e cinquenta mil euros”, o que representa “um crescimento de 27% sobre o que estava inicialmente contratualizado”.
Segundo o responsável, a intervenção integra o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da componente Cultura, que contempla um investimento global de “243 milhões, 220 mil, 517 euros e 94 cêntimos” no património cultural em todo o país.O presidente do Património Cultural admitiu que a empreitada revelou um grau de complexidade superior ao esperado. “O estado de conservação foi verificado com a abertura das coberturas”, afirmou, acrescentando que “a acessibilidade às coberturas era impossível com a natureza dos tetos trabalhados”.
“O estado era de tal modo grave que obrigou a um profundo trabalho técnico e a gastos suplementares de trabalhos complementares”, justificou.Apesar das dificuldades, garantiu que os prazos do PRR serão cumpridos. “Todas as obras do PRR, lideradas pelo Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, com os seus parceiros, estarão concluídas até 31 de agosto de 2026”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de prolongamento do prazo devido à complexidade da intervenção, respondeu que “esse prazo não vai ser prolongado a nenhum título. Não o vou deixar”.
O responsável reconheceu ainda dificuldades na contratação de mão de obra especializada para este tipo de intervenção patrimonial. “Não foi fácil. Está a ser muito difícil a gestão da mão de obra neste momento em todas as obras do PRR”, afirmou.
Sobre eventuais intervenções noutros monumentos nacionais na Madeira, João Soalheiro indicou que não estão previstas novas obras no âmbito do PRR. “A República respeita muito a autonomia”, declarou, acrescentando que o Estado está disponível para colaborar tecnicamente, mas que “a liderança de qualquer projeto e qualquer intervenção será sempre das forças vivas e do Governo Regional”.