Pelo menos 61 pessoas morreram em confrontos nas últimas duas semanas entre aliados do grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e uma tribo, no Cordofão do Sul, denunciou a Rede de Médicos do Sudão.
A rede de monitorização da guerra Rede de Médicos do Sudão indicou, em comunicado, que 61 pessoas morreram na cidade de Kauda, entre elas nove crianças e cinco mulheres, “por motivos tribais, em resultado de confrontos” entre o grupo rebelde Movimento de Libertação do Povo Sudanês-Norte (SPLM-N, em inglês), liderado por Abdelaziz al Hilu, e a tribo Otoro.
A ONG expressou “a sua profunda preocupação com os relatos e testemunhos consistentes recebidos de sobreviventes em Kauda e arredores, na sequência de uma perigosa escalada de violações contra a população civil nas últimas duas semanas”.
De acordo com os testemunhos, a população civil na localidade “foi atacada de forma direta e indiscriminada”, numa vasta região que tem assistido a uma grande onda de deslocações e a um medo generalizado entre os seus habitantes.
“Estas violações incluem execuções extrajudiciais, massacres, incêndios de habitações e comércios, bem como saques generalizados de propriedades, alegadamente perpetrados por forças afiliadas ao SPLM-N”, acrescentou a Rede de Médicos do Sudão.
Além disso, os testemunhos recolhidos indicaram que as zonas dos Otoro se tornaram “palco de horríveis violações contra os seus habitantes, com aldeias e áreas nos arredores de Kauda sujeitas a incêndios sistemáticos e restrições impostas à população civil”.
Tudo isto num contexto de ausência de corredores seguros para retirar os feridos ou entregar ajuda humanitária, agravando a situação humanitária e sanitária, denunciou a ONG.
“A Rede de Médicos do Sudão responsabiliza plenamente a liderança do SPLM-N pelas violações cometidas contra a população civil em Kauda e arredores”, lê-se no comunicado.
Os ataques na vasta região do Cordofão continuam a intensificar-se nas últimas semanas, sobretudo no estado do Cordofão do Sul, onde esta semana, na sua maior cidade, Dilling, se registaram confrontos importantes.
O exército sudanês controla a maior parte de dois dos três estados da região: Cordofão do Norte e Cordofão do Sul, enquanto as RSF e o seu aliado SPLM-N estão presentes em quase toda a região do Cordofão Ocidental.
A guerra no Sudão começou em abril de 2023 e, desde então, provocou a morte de cerca de 400.000 pessoas — segundo estimativas dos Estados Unidos — e causou a pior crise de deslocados e fome do mundo.