MADEIRA Meteorologia

PS pede urgência e transparência no combate às alterações climáticas na Região

JM-Madeira

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Data de publicação
18 Novembro 2021
15:27

Arrancaram já as Jornadas Parlamentares do PS, que decorrem ao longo da tarde desta quinta-feira no Fórum Machico, tendo como orador convidado está Jorge Cristino. Além deste gestor público no setor empresarial do Estado na área do Ambiente, intervirão igualmente, o líder parlamentar, Rui Caetano, o presidente da Câmara de Machico, Ricardo Franco, a deputada Sílvia Silva e o presidente do PS-M, Paulo Cafôfo.

As Jornadas Parlamentares do PS, subordinadas ao tema ‘Políticas Públicas para a Transição Ecológica e Combate às Alterações Climáticas’, com Rui Caetano a alertar para o facto de esta problemática do clima ameaçar sobretudo as regiões insulares como a Madeira, mas também "os que se atrasam nas decisões, os que decidem não fazer e os que se protegem da inação atrás da propaganda".

Na sua intervenção, o líder do grupo parlamentar do PS-Madeira vinca a necessidade de a Região apostar, verdadeira e urgentemente, na transição ecológica, acusando o Governo Regional de esconder os indicadores relativos à Estratégia Regional de Adaptação às Alterações Climáticas, apresentada há já seis anos.

"O melhor destino insular do mundo não fará travar a subida das águas do mar, se continuarmos a permitir a destruição da costa e a extração desenfreada de inertes. Os prémios de sustentabilidade não nos garantirão sustento se continuarmos a ignorar os impactos e oportunidades de um setor primário resiliente. O melhor desempenho ambiental do país não contraria o facto de não conseguirmos atingir as metas nas renováveis ficando a meio caminho dos 50% definidos para 2020. O galardão de Património da Humanidade atribuído à maior mancha de Laurissilva do mundo não impede que as nossas florestas estejam a emitir mais carbono do que a sequestrar, ao contrário do que seria de esperar", alerta o deputado.

Rui Caetano recorda que, em 2015, a Madeira publicou a sua Estratégia de Adaptação às Alterações Climáticas. Passados que estão seis anos, e apesar de "não existir sequer a partilha dos dados da monitorização e de continuarem escondidos os dados relativos aos indicadores de evolução da Estratégia", o dirigente alerta que alguns cenários traçados já foram rapidamente ultrapassados, concretamente os níveis de precipitação para os anos imediatos, o agravamento da disponibilidade dos recursos hídricos e a maior frequência de episódios climatéricos extremos com impactos consideráveis na vida das pessoas e nas contas públicas. Apesar disso, lamenta que não esteja prevista a revisão do plano e alerta que, mesmo com os dinheiros disponíveis e investidos, "muitos dos alertas deixados no documento de orientação estratégica 'Madeira 2030' continuam por concretizar".

Rui Caetano aproveita para sublinhar que as questões ambientais e da transição ecológica têm sido bandeiras defendidas pelo PS, partido que tem vindo a apresentar diversas propostas no Parlamento, mas que têm sido sistematicamente desvalorizadas e chumbadas pela maioria. Exemplos disso são as propostas relativas à criação da Estratégia Regional das Compras Públicas Ecológicas, a valorização da produção regional, a compensação pelos serviços dos ecossistemas ou, mais recentemente, a recomendação para a transição ecológica da Assembleia Legislativa (ainda por discutir).

O deputado insiste na necessidade de apostar neste domínio, de modo a salvaguardar o nosso futuro, a sustentabilidade do nosso desenvolvimento e do nosso território. "Devemo-lo a nós e às gerações vindouras. Devemo-lo aos nossos jovens que têm, neste particular, sido exemplares pelo seu ativismo, pela sua lucidez a dar um exemplo ao mundo e a pressionar-nos com a sua voz, de que não há tempo a perder, que não há futuro se não agirmos".

Na sua intervenção, o líder parlamentar aproveita também para chamar à atenção que as verbas que a Região irá receber do Plano de Recuperação e Resiliência não podem ser mais uma oportunidade perdida e que devem ser aproveitadas para uma mudança de estratégia. "O dinheiro reverterá primeiro para uma administração pública desatualizada, desmotivada, desorientada, mas sempre com o objetivo primordial de beneficiar, depois, os mesmos de sempre que nunca terão o ambiente ou a Madeira no topo das suas preocupações", lamenta.

"Nisto das alterações climáticas, o disfarce, as aparências ou a intenção propositada de enganar culminarão, necessariamente, mais cedo ou mais tarde, numa monumental derrota e, mais uma vez, o preço será pago por todos nós", avisa.

David Spranger

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