Mais de mil profissionais da música apelam ao boicote do festival da Eurovisão, numa carta aberta divulgada hoje, dias depois da divulgação de uma outra, da indústria do entretenimento, na qual se rejeitam tentativas de banir Israel do concurso.
A 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, marcada para maio na Áustria, volta a ficar marcada pela participação de Israel, contestada devido ao conflito na Faixa na Gaza.
Hoje foi divulgada uma carta aberta que apela ao boicote do concurso, devido à participação de Israel, subscrita por mais de 1.100 músicos, bandas e outros profissionais da cultura, de vários países, entre os quais figuram portugueses, alguns dos quais já participaram no Festival Eurovisão da Canção em anos anteriores.
A longa de lista de subscritores inclui os portugueses Carlos Mendes, Calcutá, Ana Deus, Cláudia Pascoal, Cristina Branco, Fado Bicha, Filipe Sambado, Francisca Cortesão, Hause Plantes, Hetta, Iolanda, Janeiro, Joana Gama, Jorge Palma, Júlio Resende, Linda Martini, Luca Argel, Mayra Andrade, Pedro Melo Alves, Raquel Martins, Scúru Fitchádu, Selma Uamusse, Stereossauro, Sónia Trópicos, The Legendary Tigerman e Xullaji.
Entre os signatários estão também Black Country New Road, Brendan Perry (dos Dead Can Dance), Brian Eno, Chester Hansen (BADBADNOTGOOD), Dry Cleaning, Erika de Casier, Gus Gus, Henka, Hot Chip, IDLES, Julia Rigby, Kneecap, Macklemore, Massive Attack, Mogwai, Of Monsters And Men, Peter Gabriel, Primal Scream e Sigur Rós.
Os subscritores referem que “pelo terceiro ano consecutivo, as milhões de pessoas que se espera que acompanhem o concurso verão Israel a ser celebrado em palco, apesar o genocídio em curso em Gaza, enquanto a Rússia continua banida pela invasão ilegal da Ucrânia”.
“Enquanto músicos e profissionais da Cultura, muitos dos quais a residir na área de influência da União Europeia de Radiodifusão (UER) [que organiza o concurso], rejeitamos que o Festival Eurovisão da Canção seja usado para branquear e normalizar o genocídio, o cerco e a brutal ocupação militar de Israel contra os palestinianos”, lê-se na carta aberta, disponível ‘online’ e aberta a mais subscrições.
Os subscritores manifestam-se “solidários com os apelos palestinianos” feitos às emissoras públicas dos vários países participantes, artistas, equipas técnicas e fãs para que boicotem o festival Eurovisão da Canção, “até que a UER bana a cúmplice emissora israelita KAN”.
Este ano serão 35 os países a competir na Eurovisão, após desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, devido à participação de Israel no concurso, e regressos à competição da Bulgária, Roménia e Moldávia, ao fim de três, dois e um ano de ausência, respetivamente.
Na carta aberta “aplaude-se as desistências, por uma questão de princípios das emissoras de Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovénia e Países Baixos, e os muitos finalistas dos processos de seleção nacionais, que se comprometeram a recusar-se a participar no Festival Eurovisão da Canção”, caso fossem os escolhidos.
O apelo à exclusão de Israel deve-se aos ataques militares daquele país no território palestiniano da Faixa de Gaza, nos dois últimos anos e meio, que mataram pelo menos 67 mil pessoas e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
Na semana passada, em 15 de abril, foi divulgada uma outra carta aberta relativa à participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção, subscrita por mais de um milhar de “celebridades e profissionais da indústria do entretenimento, que rejeitam as tentativas para se banir Israel da Eurovisão”.
A lista de subscritores da carta, promovida pela organização sem fins lucrativos do setor do entretenimento Creative Community for Peace, inclui atrizes como a portuguesa Daniela Ruah, Amy Schumer, Mila Kunis, Helen Mirren, Julianna Margulies, Debra Messing, Emmy Rossum, Selma Blair e Mayim Bialik, atores como Jerry O’Connell, Joshua Malina, Liev Schreiber, a escritora Erin Foster, os músicos Gene Simmons (dos Kiss), Matisyahu e Boy George, o jogador de basquetebol Anthony Edwards ou o empresário Scooter Braun.
Na carta, disponível ‘online’, é destacada a “capacidade única do Festival Eurovisão da Canção de unir peças de origens diversas”, bem como “o poder da música para promover mudanças positivas no mundo”.
Os subscritores defendem que o concurso, “que tem mais espectadores do que o Super Bowl”, a final do campeonato nacional norte-americano de futebol americano, “é uma celebração da unidade e não deve ser usado como instrumento político”.