Ilha das confusões

Miguel Albuquerque mencionava por estes dias que a malta andava a fazer uma “grande confusão” em torno da moeda digital. De facto, talvez porque a maioria não percebe do assunto, quase todos foram facilmente ‘enganados’ quando leram o contrato de 100 mil euros assinado pelo governante Rui Barreto. 

Para quem não viu ou ouviu, dizia assim: “Contrato para aquisição de serviços relativos à implementação pela Região Autónoma da Madeira da moeda eletrónica”. Quer isto dizer que vamos ter moeda digital? Albuquerque garante que não! Portanto, confirma-se que o português é uma língua matreira… embora fosse conveniente perceber o que é que andamos a pagar.

A semana, aliás, só teve confusões do lado de cá. Porque as confusões com o lado de lá, do continente, parecem ter desaparecido num ápice, como demonstra o facto de os três deputados da Madeira na Assembleia da República terem ‘furado’ a disciplina de voto dos social-democratas, abstendo-se na votação global do Orçamento de Estado 2022. António Costa, diga-se, começa a justificar a boa vontade da Região, pois aprovou a admissão de licenças para novas empresas no CINM até 2023.

Uma boa notícia cujos méritos foram reclamados tanto por PSD-M como PS-M. Confuso? Talvez, mas pouco importa perceber quem chegou primeiro, embora os mais atentos percebam que houve uma tentativa de ultrapassagem pela esquerda. O importante, claro, é que o CINM ficou a salvo, o que nem sempre acontece quando não existem as tais pontes de diálogo que os Governos dizem agora estarem criadas.

Portanto, foi possível criar uma ponte entre a Região e o continente, distanciados por sensivelmente 900 km. Mas parece não haver maneira de aproximar distâncias entre Santa Cruz e o Hospital, a avaliar pela carta que Filipe Sousa escreveu a Rafaela Fernandes, acusando os seus serviços de travarem o programa de pequenas cirurgias constituído para ajudar os munícipes.  
De facto, independentemente dos méritos ou deméritos da autarquia, demorar cinco meses para emitir um simples documento é impensável nos dias que correm, em que a digitalização da Saúde tem de ser uma realidade.

Mas continuam a ser muitos e bem variados os problemas decorrentes das inúmeras sensibilidades que desfilam cá dentro, em prejuízo, quase invariavelmente, dos cidadãos.
Nesse contexto, a conferência Altice Empresas, realizada na passada quinta-feira em parceria com o JM, teve a capacidade de deixar bem assente que a tecnologia dominará todas as áreas desta e de outras gerações e que o risco maior, hoje em dia, é não saber que o comboio tecnológico está já em andamento, sendo obrigatório entrarmos nesta viagem digital sob pena de ficarmos para trás. Mas atenção. São tantas as soluções e oportunidades com que nos deparamos que os órgãos de poder têm de ter sempre presente com apenas uma prioridade: o que serve à maioria dos cidadãos. Se assim for, a escolha ficará mais fácil.