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Artigo de Opinião

Professor

13/02/2022 08:00

A maioria está desse lado, como ficou claro. O grande povo tem medo de se libertar do manto protetor das políticas estatizantes. São os pensionistas, os viciados em apoios sociais, os trabalhadores do ordenado mínimo. São as corporações de interesses profissionais. São os funcionários públicos. São muitos interesses instalados e o receio de que qualquer mudança ponha em risco o muito ou pouco que foi, entretanto, adquirido. O espelho de um país acomodado, estagnado e envelhecido, empobrecido e dependente. Uma realidade que já nem a esquerda consegue esconder, face às estatísticas. Apesar de continuar a assustar os eleitores com o papão da direita e até do centro direita, como se viu com Rui Rio.

Porém, o debate que antecedeu as eleições e até as análises subsequentes foram interessantes. Trouxeram a terreiro esta realidade. Trouxeram também a necessidade de políticas mais liberais, capazes de fazer crescer a economia nacional. A necessidade de reformar o País, como única via para o crescimento económico e consequente melhoria do rendimento dos cidadãos, de todos os cidadãos. Com políticas e ideias que florescem na Europa, com particular incidência nos países do Norte, com economias mais robustas.

Até há pouco, só o nome provocava urticária em toda a esquerda que respondia com o ogre do ultraliberalismo. Desta vez, as propostas liberais entraram no debate e a sua aceitação foi muito para além das expetativas. Para além dos que vivem sob o chapéu do Estado, há um país que se revolta. Os jovens. E os jovens são o futuro. Se atendermos aos estudos de opinião que indicam que apenas oito por cento dos jovens estão disponíveis para votar no PS - entenda-se na continuidade das políticas atuais - então podemos intuir que afinal Portugal tem futuro. Vai levar tempo, mas vai mudar.

Até António Costa já deu a entender que alguma coisa tem de ser feita nesse sentido. Há mesmo quem no PS denuncie alguma apreensão pelo país que esta maioria absoluta vai deixar, daqui a quatro anos. Esta dicotomia mais Estado versus menos Estado, correspondendo a estagnação versus crescimento económico, dominam hoje a agenda política e, até que enfim, a agenda mediática também. E isso deve-se, por um lado, à debacle das políticas da geringonça e, por outro, às alternativas apresentadas pelo PSD e pela Iniciativa Liberal.

Resta aguardar e ter esperança. O que faz falta neste pedacinho do Portugal socialista que vive nesta cidade de Machico. Os resultados eleitorais falam por si. Machico é hoje o espelho da estagnação, da inoperância, do envelhecimento, da corrida às baixas médicas, da mão estendida à Câmara, juntas de freguesia, segurança social, casas do povo e demais instituições públicas. Onde o investimento público ou privado é cada vez mais uma miragem. Para onde os investidores viram costas como o diabo da cruz. Onde a administração pública local faz gáudio das esmolas que distribui. Um cabaz para aqui, uns medicamentos para acolá, vão sedimentando um universo clientelar que, para além do acima referido, garante depois a boa performance eleitoral. Machico é hoje, cada vez mais, uma amostra perfeita do país que temos.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
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