O antigo Cinema João Jardim já não exibe longas-metragens, mas voltou a abrir portas a novos argumentos. Onde se apagavam as luzes para começar um filme, acendeu-se um espaço cultural inédito na Madeira.
Na esquina da Rua dos Aranhas com a Rua da Carreira, há um edifício que poderia ser o rosto para a palavra reinvenção. Onde durante décadas se entrou para ver filmes, entra-se hoje para sentir luz, som e movimento.
Durante muitos anos, num século que já lá vai, ali funcionou o Cinema João Jardim, com sala escura, filas de cadeiras alinhadas e o ritual coletivo de olhar em frente para um ecrã iluminado. Hoje, no mesmo volume urbano, coexistem a Escola Profissional Cristóvão Colombo, o Autosilo João Jardim e um novo espaço cultural onde a imagem deixou de ser motivo de contemplação frontal para passar a envolver quem ali entra.
O ‘antes’ sobrevive em registos fotográficos...
... o ‘depois’ pulsa em projeções digitais.
O quarteirão nas imediações do centro comercial Plaza é dos mais atravessados do centro do Funchal, sendo que enquanto a Rua da Carreira transporta o fluxo contínuo de quem atravessa a cidade, a estreita Rua dos Aranhas guarda entradas mais discretas, quase escondidas, que conduzem a interiores inesperados.
É por aqui que se entra no IMOM — Immersive Museum of Madeira, a mais recente camada de ocupação de um edifício que conheceu o cinema, o bilhar, o silêncio e, mais recentemente, o ensino profissional.
O antigo cinema encerrou há várias décadas. Pelo meio, o espaço acumulou usos provisórios e fachadas gastas pelo tempo, até que uma intervenção recente devolveu vitalidade ao exterior. Aceitando o convite ao ‘teletransporte’ gravado nas paredes pintadas em tons néon — que, na banalidade dos nossos dias, não passa do elevador existente junto ao acesso ao parque de estacionamento — é no terceiro piso que se encontra a transformação mais profunda, que vem revolucionar ideias que possamos ter daquilo que é um espaço cultural.
Um lugar para parar e sentir
O IMOM apresenta-se como um museu sensorial e tecnológico, pensado para provocar uma experiência sem tempo contado nem pressa de ir embora, como explicou a equipa que gere o espaço à reportagem do Jornal poucos dias após a abertura.
O projeto nasceu da visão de um pequeno grupo de três criadores de origem romena que encontrou na Madeira um lugar de fixação criativa, sendo que a equipa cresceu para seis elementos - Florin Niculae, Buriu Nicu, Olaru Mirel, Enis Husein, Matei Dersidan e Irina Jardim, aos quais se junta Andrei Nemes, na gestão de redes sociais e criação de conteúdo digital. “Apaixonámo-nos pela ilha não apenas como destino, mas como sentimento”, explicam. “Não queríamos criar um sítio onde as pessoas viessem apenas ver algo, mas sentir um museu que não explica, desperta”.
A equipa do IMOM adianta ao Jornal que esta é uma estrutura em crescimento que pretende alcançar os dez elementos em breve, acrescentando-se uma “equipa satélite” na Roménia, a cruzar criação artística, coordenação técnica e contacto direto com o público.
Saiba mais sobre este espaço na reportagem da rubrica ‘Antes e Depois’ publicada hoje na edição impressa do seu JM, ou em imom.pt.