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Artigo de Opinião

Todos os anos, em Portugal, milhões de pessoas ajustam os seus relógios em março e outubro, passando pelo horário de verão e de inverno. Este domingo, os relógios avançam uma hora, marcando o início do horário de verão. Com esta mudança, as tardes ficam mais longas e há mais luz natural ao final do dia, um efeito que muitos valorizam para atividades ao ar livre e lazer.

Embora este procedimento seja muitas vezes encarado como uma simples formalidade, as alterações de hora têm impactos no bem-estar psicológico e físico, algo que vale a pena conhecer.

O corpo humano segue ritmos biológicos internos, os chamados ritmos circadianos, de aproximadamente 24 horas, que regulam o sono, a vigília, a temperatura corporal, os níveis hormonais e até o humor. Quando os relógios são adiantados ou atrasados, o corpo pode levar alguns dias a reajustar-se, entre três e sete dias, causando um descompasso temporário entre o relógio social e o relógio biológico.

A transição para horários diferentes pode afetar o funcionamento do organismo e pode ter impacto na saúde psicológica, especialmente em pessoas mais sensíveis a variações nos padrões de sono e exposição à luz. A luz solar, por exemplo, é essencial para a produção de hormonas como a melatonina e o cortisol, além de influenciar a qualidade do sono e a energia ao longo do dia.

Entre os efeitos mais frequentes da mudança de hora destacam-se as alterações do humor, como irritabilidade, ansiedade ou apatia, podendo, em pessoas mais vulneráveis, intensificar-se os sintomas depressivos. São também comuns perturbações do sono, incluindo dificuldade em adormecer ou acordar, sono menos reparador e consequente fadiga durante o dia. A isto pode juntar-se uma diminuição da concentração e da produtividade, com maior lentidão no raciocínio e mais erros no trabalho ou no estudo. Não raramente surgem ainda sintomas físicos, como dores de cabeça, alterações no apetite e uma sensação geral de cansaço, que acabam por reforçar o impacto psicológico.

Para minimizar os efeitos da mudança de hora, recomendam-se algumas estratégias simples: ajustar gradualmente os horários de dormir nos dias anteriores, aproveitar a luz natural matinal, para ajudar a regular o ritmo biológico, manter rotinas consistentes de sono, refeições e atividade física, evitar ecrãs antes de dormir, e adotar práticas de relaxamento antes de deitar, como respiração profunda ou alongamentos suaves. Pequenas alterações no dia a dia, em sincronia com o novo horário, podem ajudar o corpo a adaptar-se mais rapidamente e a reduzir sintomas como cansaço ou irritabilidade.

Embora a adaptação varie de pessoa para pessoa, é importante reconhecer que indivíduos mais sensíveis a alterações nos ritmos biológicos podem sentir maiores dificuldades na transição.

Se tiver insónia prolongada, irritabilidade intensa ou diminuição de desempenho por mais de duas semanas, pode ser útil falar com um profissional de saúde.

Este domingo, portanto, é o momento de adiantar os relógios e preparar o corpo, a mente e a rotina para os dias mais longos que se aproximam.

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