A iniciativa supra é de celebrar. Porém, "não há bela sem senão" e o facto da Ordem Nacional de Camões usurpar as cores da bandeira da Região Autónoma da Madeira é um facto infeliz. Estranhamente o Governo Regional e a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira não se pronunciaram sobre o usurpar das cores regionais por parte do Sistema das Ordens Honoríficas da República Portuguesa.
O Governo Regional e Assembleia Legislativa Regional da Região Autónoma da Madeira deveriam ter pressionado o Governo da República a optar pelo amarelo-púrpura-amarelo, numa alusão à Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e à Ordem da Instrução Pública, que usualmente estão associadas à distinção daqueles que até agora prestaram serviços relevantes à língua portuguesa.
"Silly Season": agora que estamos em Agosto, os meios de comunicação audiovisual para além de terem de gastar mais de metade do horário nobre com Covid-19 e futebol terão que repartir o tempo com os incêndios florestais, em Portugal e no Mundo, e as típicas entrevistas de praia sobre bolas de Berlim, temperatura da água do mar e protetor solar. Resta saber qual a percentagem para cada um dos assuntos a abordar pelo audiovisual.
Por falar em "silly season", pode dizer-se que a mesma já chegou também à vacinação contra a Covid-19. "Peritos médicos" de trazer por casa digladiam-se nas redes sociais sobre a adequação da vacina às camadas mais jovens da população. Na era da ciência e da elevada taxa de alfabetização não deixa de ser curioso que ainda existam pessoas que "acreditam no Pai Natal", e consomem teorias da conspiração com a mesma facilidade com que respiram ou piscam os olhos.
O fenómeno supra é um aviso para a geração Millennial, Geração Z e tecnocratas dos Governos europeus: a alfabetização não é sinónimo de literacia. Na verdade, a iletaracia dos alfabetizados é o maior perigo ao funcionamento da Democracia nos dias que concorrem, em especial num contexto de sobrecarga de informação proporcionado pelas redes sociais.
"É uma verdade inquestionável, o povo de cada país deseja sinceramente a sua prosperidade. Mas é igualmente inquestionável que eles não possuem o discernimento e a estabilidade necessários para um governo sistemático. Negar que são frequentemente levados ao mais grosseiro dos erros, por desinformação e paixão, seria uma lisonja que o seu próprio bom senso deve desprezar." - Alexander Hamilton (11 de Janeiro 11 de 1755 (ou 1757) - 12 de Julho de 1804), I Secretário do Tesouro dos EUA.